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Educação em vinhos pode impulsionar o mercado brasileiro

Profissionais do setor apontam que a formação de colaboradores, sommelier e importadores tem papel estratégico para ampliar a oferta, melhorar a experiência do consumidor e gerar crescimento sustentável no mercado brasileiro de vinhos.

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
03/11/2026 às 18h01
Educação em vinhos pode impulsionar o mercado brasileiro
Thomas Baccaro

O crescimento e a sofisticação do mercado de vinhos no Brasil dependem de mais do que a chegada de novos rótulos às prateleiras ou a ampliação das cartas dos restaurantes. A educação tem papel estratégico para desenvolver profissionais, orientar escolhas, melhorar a experiência do consumidor e transformar conhecimento em valor para toda a cadeia, desde a produção e importação, até o serviço e a venda.

Na prática, formação significa compreender não apenas uvas e regiões, mas também as escolhas de vinificação, variações entre safras e a maneira como esses fatores se expressam na taça do consumidor. Para quem vende, esse repertório ajuda a recomendar rótulos de acordo com o perfil e a expectativa do cliente. Para quem consome, torna a escolha mais consciente e reduz a sensação de que o vinho é um universo inacessível, reservado a especialistas.

"O conhecimento técnico precisa se traduzir em uma orientação que faça sentido para cada pessoa. Não basta acumular informações sobre um rótulo, é preciso entender o que elas significam na experiência de quem vai beber o vinho", resume Cristiano Samara, sócio da importadora Élevage. Com formação WSET níveis 2 e 3 pela Eno Cultura, é ele quem prepara materiais de venda e fichas técnicas da importadora para transformar informações dos produtores em descrições claras e úteis ao consumidor.

Na Élevage, que trabalha com vinhos premium e super-premium, especialmente da Borgonha, a formação é tratada como parte da operação. A empresa financia cursos para os colaboradores e mantém treinamentos internos sobre produtores, técnicas de vinificação, regiões e safras. Segundo Samara, a evolução aparece no dia a dia, pois a base auxilia os vendedores a ter menos dúvidas. "Tivemos o caso de um colaborador que, após ampliar o repertório com os estudos, superou dificuldades iniciais e melhorou seu desempenho commercial de forma evidente".

No Evvai, premiado restaurante em São Paulo, o vinho tem participação relevante no negócio: de acordo com o sommelier Marcelo Fonseca, representa entre 30% e 40% do faturamento da casa. "Mais de 70% das vendas de vinho acontecem por meio de harmonizações, e há uma expressiva demanda por rótulos brasileiros", comenta. A equipe recebe treinamentos para que maîtres e garçons consigam responder dúvidas, sugerir combinações e atender com autonomia, sem depender exclusivamente do sommelier.

O exemplo mostra que a educação contribui para construir uma carta coerente com a proposta gastronômica, orientar o cliente sem constrangê-lo, cuidar do serviço e evitar problemas de estoque. Em uma importadora, ajuda a explicar diferenças de estilo e safra e a reduzir o risco de má recomendações; em um restaurante, pode conectar a escolha do vinho ao menu e à experiência completa da refeição.

Para Samara, além dos estudos, é fundamental degustar uma variedade ampla de bons vinhos. "Comparar estilos e técnicas pode exigir a prova de vários rótulos, o que eleva o custo do aprendizado", explica. Segundo ele, tornar a linguagem mais acessível e oferecer diferentes formatos de aprendizagem são caminhos para aproximar novos públicos.

É nesse cenário que a Eno Cultura se destaca como instituição que conecta educação e mercado. Fundada em 2013, a escola já formou mais de 15 mil alunos e oferece cursos presenciais, híbridos e on-line, programas autorais, masterclasses e degustações. Entre seus diferenciais estão a adaptação de conteúdos internacionais à realidade brasileira e um corpo docente com 38 profissionais, incluindo seis Master of Wine. "O foco dos materiais pedagógicos está no processo do aluno sobre termos, uvas, regiões e países que são pouco familiares para quem está iniciando neste universo", explica Thiago Mendes, fundador e CEO da Eno Cultura.

A instituição é a única da América Latina autorizada a oferecer o WSET Level 4 Diploma, nível especialista da organização britânica Wine & Spirit Education Trust, e a formação atende profissionais que buscam qualificação e pessoas interessadas em aprofundar o conhecimento por prazer ou considerar uma transição de carreira. Cerca de 40% de seus alunos são executivos, empresários, médicos e advogados, estudantes que avançam nos níveis da WSET, e uma parcela menciona o vinho como possibilidade de reinvenção profissional.

A escola também desenvolve iniciativas para ampliar o acesso e a diversidade no setor. O Sommelier do Futuro, realizado em parceria com o Instituto Ser+, com patrocínio da King Kullimore Charity e apoio da WSET, oferece bolsas, suporte financeiro, acompanhamento socioemocional, mentoria e orientação profissional a jovens de 18 a 29 anos oriundos da rede pública. Em 2025, 15 participantes concluíram o WSET Level 1 e avançaram para o Level 2 em 2026. Já o Wine for Life formou 47 participantes em São Paulo, enquanto uma parceria com a OCAM capacitou mais de 80 profissionais da gastronomia no Rio de Janeiro.

O reconhecimento internacional reforça essa atuação. Este ano, na primeira edição do WSET Excellence in Education Awards, a Eno Cultura recebeu a distinção "Highly Commended" nas três categorias da premiação — Enterprise, Student Experience e Social Impact. O resultado se soma à trajetória da escola como provedora de formação internacional e à aposta em diferentes formatos de aprendizagem.

"É uma conquista que reflete nosso compromisso de transformar vidas por meio da educação e pertence à nossa equipe, aos nossos educadores, parceiros e alunos. Ela demonstra que a excelência cultivada no Brasil pode conquistar reconhecimento internacional e inspirar pessoas em todo o mundo", celebra Thiago.

Para o mercado brasileiro, o desafio é fazer com que a educação deixe de ser vista como um diferencial restrito a especialistas e seja incorporada como parte da infraestrutura do setor. Profissionais mais preparados podem explicar melhor o produto, valorizar o trabalho de produtores, apoiar escolhas conscientes e melhorar a experiência de consumo. Ao mesmo tempo, iniciativas de acesso e formação contínua ajudam a abrir portas para novos talentos. Em um mercado com grande diversidade de estilos, origens e faixas de preço, conhecimento é uma ferramenta para ampliar a confiança e criar condições para o vinho crescer de forma mais consistente.

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