16°C 23°C
Wenceslau Braz, PR
Publicidade

Governança e compliance ganham espaço na profissionalização

O desafio não se limita à obtenção de recursos. A organização precisa demonstrar que possui condições administrativas para executar os projetos, acompanhar metas, gerir pessoas, controlar despesas e comunicar os resultados alcançados.

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
30/10/2026 às 13h06
Governança e compliance ganham espaço na profissionalização
Pixabay

A atuação das organizações da sociedade civil (OSCs) em áreas como assistência social, saúde, educação, cultura e defesa de direitos vem acompanhada de uma cobrança crescente por profissionalização. À medida que essas entidades ampliam projetos, equipes e fontes de financiamento, também aumenta a necessidade de estabelecer processos capazes de garantir transparência, integridade e responsabilidade na tomada de decisões.

O desafio não se limita à obtenção de recursos. A organização precisa demonstrar que possui condições administrativas para executar os projetos, acompanhar metas, gerir pessoas, controlar despesas e comunicar os resultados alcançados. Esse conjunto de práticas passou a ser observado por órgãos públicos, financiadores privados, parceiros institucionais e pela própria sociedade.

Para Tomáz de Aquino Costa Resende, sócio do escritório homônimo, governança e compliance devem ser compreendidos como instrumentos de sustentabilidade, e não apenas como exigências burocráticas. "A profissionalização do terceiro setor não significa reproduzir modelos empresariais de forma automática. Significa criar mecanismos compatíveis com a realidade da organização para que as decisões sejam tomadas com clareza, os recursos sejam aplicados corretamente e os resultados possam ser demonstrados", afirma.

Estrutura reduz riscos e melhora decisões

A governança estabelece como a organização é dirigida, quais são as responsabilidades de seus administradores e de que maneira as decisões são registradas e acompanhadas. Em uma OSC, isso pode envolver a atuação do conselho, a definição de alçadas, a separação entre funções administrativas e financeiras e a adoção de políticas internas.

Também é importante estabelecer regras para contratação de fornecedores, recebimento de doações, relacionamento com agentes públicos, proteção de dados, gestão de conflitos de interesses e utilização dos recursos. Mesmo entidades de menor porte podem adotar procedimentos simples, desde que sejam compatíveis com sua estrutura e aplicados de maneira efetiva.

O compliance, por sua vez, reúne medidas destinadas a prevenir, identificar e corrigir condutas que possam contrariar a legislação, os instrumentos de parceria ou os princípios da própria instituição. Entre essas medidas estão códigos de conduta, canais de comunicação, treinamentos, registros de aprovação e rotinas de monitoramento. "O compliance não precisa começar com uma estrutura complexa ou dispendiosa. O primeiro passo é mapear os riscos mais relevantes, identificar quem decide, documentar os procedimentos e criar uma rotina de acompanhamento. O que não pode acontecer é a organização depender exclusivamente da memória ou da boa vontade de uma pessoa", explica Tomáz.

A ausência de controles pode gerar problemas que ultrapassam o campo financeiro. Uma contratação sem pesquisa adequada, uma despesa sem documento ou uma decisão sem registro podem comprometer a prestação de contas e a credibilidade da entidade.

Transparência fortalece a confiança

A transparência também tem impacto direto na capacidade de uma OSC manter relacionamentos de longo prazo. Doadores, empresas, órgãos públicos e beneficiários tendem a valorizar instituições que conseguem explicar suas fontes de recursos, seus critérios de atuação e os resultados produzidos.

O Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, instituído pela Lei nº 13.019/2014, estruturou regras para as parcerias entre o poder público e as OSCs. A legislação prioriza o controle de resultados e exige que a execução da parceria possa ser acompanhada a partir de informações e documentos relacionados ao objeto pactuado.

Nesse contexto, governança e compliance devem estar conectados ao planejamento estratégico. Não basta criar documentos formais: é necessário verificar se os procedimentos são conhecidos pela equipe, se os responsáveis têm condições de cumpri-los e se os controles são revisados quando o projeto ou a fonte de recursos muda.

Tomáz de Aquino destaca que a transparência precisa fazer parte da rotina. "Uma organização confiável não espera a prestação de contas ou uma auditoria para reunir documentos e explicar suas decisões. Ela mantém as informações organizadas desde o início, acompanha a execução e corrige eventuais desvios antes que eles se transformem em problemas maiores", diz.

A profissionalização também contribui para preservar a finalidade institucional. Com processos claros, a organização reduz a dependência de decisões individuais, facilita a transição entre dirigentes e cria condições para que novas pessoas assumam responsabilidades sem interromper os projetos.

Para o advogado, o fortalecimento dos controles deve ser visto como uma estratégia de continuidade. "A boa governança protege a causa, a equipe e os recursos destinados ao projeto. Ao estabelecer regras e responsabilidades, a OSC aumenta sua capacidade de entregar resultados e de manter relações de confiança com todos os públicos envolvidos", conclui.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
 Ivan Aleksic
Economia Há 29 minutos

Duplo diploma no ensino médio ganha mais espaço no Brasil

Censo Escolar 2025 contabiliza 7,3 milhões de matrículas no ensino médio, queda de 5,3% em um ano, enquanto a rede privada cresce 0,6% e o país soma mais de 1,2 mil escolas com oferta bilíngue. Nesse cenário, programas que combinam o currículo bra...

Imagem do Magnific
Economia Há 47 minutos

Restauração produtiva remunera o produtor antes do carbono

Marcelo Haddad, diretor NBS da Future Climate Group, explica como a Originals estrutura parcerias para recompor Reserva Legal e APP com cacau, café e espécies nativas, com colheitas nos primeiros anos e créditos de carbono no longo prazo

Divulgação Engaja Brasil
Economia Há 57 minutos

Engaja Brasil abre acesso gratuito para investimento social

Na reta final do ano, empresas passam a ter acesso gratuito a projetos sociais selecionados pela Engaja Brasil, que avalia não apenas as iniciativas, mas também a reputação e a governança das organizações responsáveis por sua execução. O novo mode...

Economia Há 1 hora

YYForce Implementa 11 Robôs Comerciais de Hospitalidade no Novotel e no Mercure Singapore on Stevens

Empresa amplia presença da Robótica como Serviço (RaaS) no principal centro de hospitalidade de Singapura, oferecendo entregas com frota autônoma, integração inteligente de elevadores e aprimoramento da produtividade operacional.

Imagem do Magnific/wirestock
Economia Há 2 horas

Inadimplência da baixa renda sobe para 38,8%, aponta CNC

Com o orçamento mais apertado, parcelas de consórcio podem exigir revisão. Fábio Luiz Marques, sócio-diretor da Consórcio Fast, explica como comparar alternativas, avaliar cotas e conduzir a cessão de direitos junto à administradora

Wenceslau Braz, PR
23°
Tempo nublado
Mín. 16° Máx. 23°
23° Sensação
11.38 km/h Vento
71% Umidade
100% (2.83mm) Chance chuva
05h34 Nascer do sol
18h31 Pôr do sol
Sábado
26° 16°
Domingo
26° 15°
Segunda
25° 17°
Terça
26° 18°
Quarta
25° 20°
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,44 +1,07%
Euro
R$ 6,07 +0,88%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 444,547,31 -2,77%
Ibovespa
168,527,16 pts -0.39%
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade