
Com a intensificação das incertezas econômicas e políticas no Brasil, muitos investidores têm reavaliado a forma como alocam seus recursos. Entre janeiro de 2020 e janeiro de 2023, o real se desvalorizou de cerca de R$ 4,10 para aproximadamente R$ 5,10 por dólar, uma queda próxima de 25%, segundo dados do Banco Central. Esse movimento evidencia a vulnerabilidade da moeda frente a choques internos e externos.
Diante desse cenário, cresce a busca por investimentos no exterior, não apenas como proteção cambial, mas também como forma de acessar mercados com marcos regulatórios mais estáveis e previsíveis. A diversificação internacional passa a ser vista não só como estratégia de retorno, mas como ferramenta essencial de preservação patrimonial.
O crescimento do interesse por ativos internacionais
De acordo com a National Association of Realtors (NAR), as compras internacionais de imóveis residenciais nos EUA totalizaram US$ 59 bilhões no período entre abril de 2021 e março de 2022, um aumento de 8,5% em relação ao ano anterior. Conforme o relatório "2022 Profile of International Residential Real Estate in Florida", publicado pela Florida Realtors, compradores do Brasil representaram 5% dos investidores internacionais no mercado residencial da Flórida em 2022, ante 3% no ano anterior.
Mercado norte-americano: características e vantagens
A solidez do mercado imobiliário norte-americano se apoia em um quadro regulatório bem definido, transparência nas transações e amplo acesso a dados, o que favorece a tomada de decisão informada. De acordo com o relatório "Global Outlook 2023" da consultoria imobiliária Knight Frank, os EUA continuam a atrair investidores internacionais devido à liquidez de seu mercado e à estabilidade jurídica, fatores que, segundo essa consultoria, contribuem para um ambiente mais seguro, mesmo em cenários de incerteza global.
Além disso, o retorno em dólar funciona como um hedge cambial natural, reduzindo o impacto das oscilações da moeda brasileira e proporcionando maior previsibilidade de longo prazo, conforme ressaltado nas análises da Knight Frank.
Imóveis como ativos reais e duráveis
Segundo o Urban Land Institute (ULI), o investimento imobiliário é amplamente reconhecido como uma maneira de mitigar efeitos inflacionários e volatilidades de outras classes de ativos. O ULI destaca o potencial do setor para preservação de patrimônio, geração de renda via aluguéis e valorização ao longo do tempo. Em um contexto de inflação elevada e incertezas econômicas, a exposição a imóveis de qualidade, especialmente em mercados consolidados, é apontada por essa instituição como uma estratégia para equilibrar riscos e fortalecer o portfólio.
Diversificação e iniciativas estratégicas
A procura por estruturas de investimento mais simples e acessíveis também vem chamando a atenção. Segundo informações fornecidas pelo MAM Group, iniciativas como a extensão da Astor oferecem projetos voltados a investidores brasileiros que buscam exposição ao mercado norte-americano. Um exemplo é o Lake House, empreendimento localizado em Orlando, Flórida, região analisada por consultorias setoriais como área de potencial crescimento imobiliário. Nessas operações, o investidor pode adquirir e gerenciar o imóvel diretamente, reduzindo a dependência de intermediários e mantendo maior controle sobre o ativo.
Perspectivas futuras
Relatórios da NAR e análises da Knight Frank apontam que o mercado imobiliário norte-americano, por sua solidez e previsibilidade, continuará no radar de investidores de diversas nacionalidades, incluindo brasileiros.
De acordo com a Knight Frank, a combinação de ambiente regulatório estável, moeda forte e transparência nas negociações reforça o apelo dos EUA como destino de investimento de longo prazo, contribuindo, segundo a consultoria, para a preservação do patrimônio e a construção de portfólios mais resilientes frente a cenários desafiadores.


