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Seguro paramétrico amplia demanda por dados meteorológicos

O seguro paramétrico vem ganhando espaço na gestão de riscos do agronegócio e ampliando a importância de dados meteorológicos confiáveis. Estações, sensores, pluviômetros, dataloggers e telemetria permitem monitorar variáveis como chuva, temperatu...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
08/09/2026 às 12h37
Seguro paramétrico amplia demanda por dados meteorológicos
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O avanço do seguro paramétrico vem ampliando a importância dos dados meteorológicos na gestão de riscos do agronegócio. Diferentemente do seguro tradicional, essa modalidade pode prever o pagamento da indenização quando um índice previamente definido, como volume de chuva ou temperatura, atinge o gatilho estabelecido em contrato.

Em relatório publicado em março de 2026, a FGV Agro apontou o seguro paramétrico como uma inovação promissora para a gestão de riscos no campo e destacou que sua expansão no Brasil depende, entre outros fatores, de investimentos em dados.

Nesse modelo, a qualidade da informação meteorológica ganha relevância porque os parâmetros precisam representar as condições observadas na área segurada. Estações meteorológicas, pluviômetros, sensores, dataloggers e sistemas de telemetria ajudam a registrar essas condições de maneira contínua.

De acordo com Rodnei Miotto, diretor executivo da RoMiotto Indústria e Comércio de Instrumentos de Medição, a confiabilidade da medição é central quando dados climáticos passam a fazer parte de decisões financeiras e operacionais.

"Do ponto de vista do monitoramento, o dado meteorológico deixa de ser apenas uma informação de apoio e passa a ter participação direta na avaliação do risco. Se chuva, temperatura ou vento fazem parte do índice utilizado, é fundamental que essas variáveis sejam medidas com precisão, continuidade e rastreabilidade", explica.

Os índices podem ser estruturados a partir de diferentes variáveis, conforme o risco, a cultura e as características da região. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) cita parâmetros como excesso ou falta de chuva, vento, temperatura, geada, granizo e inundação em iniciativas relacionadas ao seguro paramétrico.

"Para estiagem, por exemplo, a precipitação acumulada e a sequência de dias sem chuva são informações importantes. Em riscos associados à geada, temperatura e umidade ganham peso. Já em situações de vento forte, velocidade, direção e rajadas precisam ser acompanhadas. Cada índice exige uma estratégia de medição coerente com o risco analisado", afirma Miotto.

Além da escolha dos sensores, a localização das estações meteorológicas influencia a representatividade dos dados. Relevo, altitude, cobertura do solo e distância podem fazer com que áreas próximas apresentem comportamentos diferentes.

"Uma estação precisa estar instalada em um local tecnicamente adequado e representativo da área monitorada. Quanto maior a distância ou a diferença entre as características do ponto de medição e da propriedade, maior pode ser a divergência entre o dado registrado e a condição enfrentada no campo", observa.

Nesse contexto, redes públicas e estações próprias podem cumprir funções complementares. Dados regionais ajudam a construir séries históricas e compreender uma área mais ampla, enquanto uma estação próxima à operação permite acompanhar condições específicas do local.

"As redes públicas são fundamentais e oferecem uma base importante. Uma estação local acrescenta granularidade ao monitoramento, principalmente em regiões onde existem variações microclimáticas. O mais importante é trabalhar com dados confiáveis e entender o nível de representatividade de cada ponto", explica Miotto.

A infraestrutura de coleta também precisa garantir continuidade. Sensores realizam as medições, dataloggers registram e armazenam os dados e sistemas de telemetria permitem sua transmissão remota para plataformas de acompanhamento.

"Não basta ter um bom sensor se os demais componentes do sistema não forem bem especificados. O datalogger precisa registrar corretamente as informações, a comunicação deve ser confiável e a plataforma deve preservar o histórico. É essa integração que permite construir uma série de dados consistente e rastreável", destaca.

Outro cuidado está na manutenção da qualidade ao longo do tempo. Instalação inadequada, obstrução de pluviômetros, posicionamento incorreto de sensores, falhas de comunicação e ausência de calibração podem comprometer as medições.

"Um sensor pode ser tecnicamente preciso, mas entregar um dado inadequado se estiver mal instalado ou sem manutenção. Por isso, inspeção, limpeza, calibração e verificação periódica fazem parte da garantia da qualidade da informação meteorológica", acrescenta.

A formação de séries históricas também ganha importância à medida que o seguro paramétrico avança. Quanto maior a disponibilidade de medições consistentes, melhores são as condições para compreender o comportamento climático de uma região e avaliar a frequência de determinados eventos.

"Mais pontos de medição, quando instalados e mantidos de forma adequada, ajudam a reduzir lacunas de dados e a entender melhor as diferenças entre regiões. Para aplicações que dependem de índices climáticos, a rastreabilidade e a continuidade das séries são tão importantes quanto a medição em tempo real", conclui Miotto.

Com o crescimento do uso de dados na gestão de riscos do agronegócio, a infraestrutura meteorológica passa a ter papel cada vez mais relevante. Equipamentos precisos, redes bem distribuídas e processos de calibração e manutenção ajudam a transformar medições ambientais em informações confiáveis para produtores, seguradoras, cooperativas e demais agentes do setor.

Para saber mais, basta acessar: https://romiotto.com.br/

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