
O Brasil perdeu 39,53% de toda a água tratada inserida nos sistemas de distribuição em 2024, de acordo com o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), divulgado pelo Ministério das Cidades em dezembro de 2025. O percentual equivale a quase quatro de cada dez litros que saem das estações de tratamento e não chegam a ser faturados pelos prestadores, e mantém o país distante do teto de 25% que passa a valer em 2033 como condição de acesso a recursos federais para abastecimento de água.
O parâmetro está fixado na Portaria 788, publicada pelo Ministério das Cidades em 1º de agosto de 2024, a qual escalona as exigências ao longo do tempo. A norma condiciona o repasse de recursos da União a índices de perda na distribuição de até 35% até 2025, de até 30% entre 2026 e 2032 e de até 25% a partir de 2033, acompanhados de limites para o volume perdido por ligação.
A portaria regulamenta dispositivo da Lei 11.445, de 5 de janeiro de 2007, atualizada pela Lei 14.026, de 15 de julho de 2020, que reformou o marco legal do saneamento e fixou as metas de 99% da população com acesso a água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033.
Metas do novo marco impulsionam investimentos em saneamento
A dimensão econômica desse esforço foi mapeada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No estudo do BNDES Novo Marco Legal do Saneamento: Mapeamento da Demanda Industrial, publicado na revista BNDES Setorial em março de 2022, o banco registra que o novo marco previu a queda do índice de perdas de 40% para 25% no mesmo prazo e que o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) estima investimentos de cerca de R$ 415 bilhões até 2033. No cenário-base do levantamento, a demanda por tubulação, equipamentos e produtos químicos soma aproximadamente R$ 87,8 bilhões até o fim do período.
Dentro desse total, R$ 36,8 bilhões correspondem à compra de tubos, R$ 18,3 bilhões a equipamentos e R$ 32,7 bilhões a produtos químicos, segundo o mesmo documento. A extensão de tubulação demandada chega a 410 mil quilômetros até 2033, e os hidrômetros respondem por 75% do valor previsto em equipamentos.
O BNDES associa essa concentração diretamente à meta de perdas, ao observar que parte do desperdício ocorre em vazamentos ao longo do percurso e outra parte decorre de volumes consumidos que não são medidos corretamente.
Essa divisão é a mesma adotada pelos dados do Sinisa, que separam perdas reais, provocadas por vazamentos em adutoras, ramais e reservatórios, de perdas aparentes, associadas a hidrômetros mal calibrados, erros de leitura, fraudes e ligações clandestinas. O sistema aponta ainda que 86,7% do volume consumido no país é medido por hidrômetro e que 84,3% do volume de entrada na distribuição passa por macromedição. As médias regionais de perdas variam de 32,4% no Centro-Oeste a 49,4% no Norte, com 37,6% no Sudeste.
Detecção de vazamentos é apontada como etapa decisiva
Para Felipe Miguel, sócio-proprietário da FB, empresa de Caça Vazamento em São Paulo, o cumprimento das metas depende de uma cadeia que começa na rede pública e termina dentro dos imóveis. "A meta de redução de perdas não se resolve apenas na tubulação da rua. Uma parcela relevante do desperdício acontece dentro dos imóveis, em vazamentos que não aparecem na superfície e só são identificados com inspeção técnica", afirma.
Ele acrescenta que a localização precisa do ponto de rompimento altera o resultado da intervenção: "A detecção eletrônica permite localizar o vazamento sem quebrar pisos e paredes, o que reduz o tempo de reparo e o volume de água perdido até a correção".
O quadro atual mostra distâncias expressivas entre municípios. O Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil com a consultoria GO Associados a partir dos dados de 2024, aponta que 20 dos 100 municípios mais populosos operam com perdas na distribuição abaixo de 25%.
Entre os 20 melhores colocados, o índice médio fica em 24,28%, contra 44,78% no grupo dos 20 piores, diferença de 20,50 pontos percentuais. Os investimentos em abastecimento de água totalizaram R$ 14,59 bilhões em 2024, dos quais R$ 5,06 bilhões foram destinados à distribuição.
Ativa há mais de 20 anos na Grande São Paulo, a FB Caça Vazamentos trabalha com detecção eletrônica em encanamentos hidráulicos, piscinas e tubulações de gás, além dos reparos posteriores, e emite laudo técnico para apresentação à concessionária.
Com matriz na zona sul da capital e filiais em cidades como Osasco, Barueri, Guarulhos, Santo André e São Bernardo do Campo, a empresa atua no segmento de detecção e reparo de vazamentos, que responde pela etapa final do percurso da água.
Para mais informações, basta acessar https://servicocacavazamentos.com.br/



