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Reforma tributária pressiona caixa e demanda previsibilidade

Com o início da fase de transição do novo sistema de tributos, cresce a demanda por controle do fluxo de caixa e por crédito planejado. Para Edson ...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
04/08/2026 às 18h51
Reforma tributária pressiona caixa e demanda previsibilidade
Imagem do Magnific/pressfoto

A reforma tributária entrou em 2026 em sua fase de transição, período em que as novas regras de recolhimento começam a ser testadas antes de valerem de forma integral. Ainda sem cobrança efetiva dos novos tributos, a mudança já leva as empresas a revisar processos financeiros e a ampliar o controle sobre o fluxo de caixa, uma vez que o modelo em construção pode alterar o ritmo de entrada de recursos e pressionar a liquidez das operações, especialmente com a adoção do Split Payments, que irá causar uma quebra no fluxo atual de caixa ao antecipar o recolhimento dos tributos.

Em setores de alta rotatividade, como o varejo, nos quais o volume de transações de venda e a relação com fornecedores tornam os ciclos financeiros mais complexos, essa pressão tende a ser sentida com maior intensidade pelos fornecedores ao ter o valor líquido recebido a menor pela antecipação do recolhimento dos tributos, bem como o reflexo no valor creditado ao varejo pelos cartões e Pix, já debitado o respectivo tributo.

O quadro se soma a um ambiente de crédito ainda restritivo: dados da Serasa Experian indicam que mais de nove milhões de empresas estavam inadimplentes em maio de 2026, recorde da série histórica, com R$ 229,9 bilhões em dívidas e alta de 17,4% na comparação anual. As micro e pequenas, mais dependentes de linhas de curto prazo, respondem pela maior parte desse total.

Nesse cenário, a procura por capital deve aumentar, embora a maior dificuldade não esteja apenas em conseguir recursos, e sim em obtê-los a um custo que não afete a margem e, ainda, empregá-los de forma planejada. As organizações que decidem com base em informações fragmentadas ou amparadas em dados precisam mudar sua forma de gerir caixa e resultado, antecipar-se aos fluxos de entrada e saída de recursos e dimensionar corretamente o capital de giro para não afetar sua rentabilidade.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o fluxo de caixa é o instrumento que projeta entradas e saídas e mantém disponível o capital necessário para custear a operação e sustentar investimentos.

O crédito como decisão de planejamento

Fundador e presidente da Nexxera, empresa dedicada à integração e à automação de processos financeiros e mercantis, Edson Silva avalia que a discussão sobre como obter capital precisa evoluir antes que as companhias recorram às tradicionais ou até novas linhas de crédito.

"Nestes momentos de mudança, é natural que muitas empresas busquem capital ou crédito para preservar liquidez e, especialmente, caixa sem afetar sua margem. Mas a principal questão deixa de ser apenas conseguir recursos e passa a ser identificar quando e quanto capital realmente é necessário e para qual finalidade. Sem uma forte gestão de fluxo de caixa, a empresa pode recorrer a recursos errados ou acima da necessidade, elevando custos financeiros, afetando a margem e criando uma dependência que poderia ser evitada", afirma.

O executivo observa que a previsibilidade financeira não influencia somente o acesso ao crédito, mas também diminui a necessidade de recorrer a ele em caráter emergencial. Quando conhece a dinâmica do próprio caixa e os colaterais que possui para recorrer ao capital, de acordo com o presidente da companhia, a empresa consegue negociar melhores condições, planejar suas necessidades de capital e preservar recursos para investir no próprio crescimento.

Esse movimento também tende a modificar a forma como as instituições financeiras avaliam risco e podem disponibilizar mais capital. Em vez de se apoiar apenas em indicadores históricos, como balanços e demonstrações contábeis, ganha espaço uma análise baseada no comportamento real das operações, que considera dados transacionais, tributos, ciclos de recebimento e pagamento e o relacionamento entre companhias ao longo da cadeia de negócios.

Para Silva, o mercado caminha para decisões cada vez mais apoiadas em informações contínuas sobre a operação, à medida que a união entre dados financeiros e comerciais amplia a visibilidade sobre o fluxo de caixa.

Infraestrutura financeira e visibilidade das operações

Nesse contexto, soluções capazes de conectar empresas, instituições financeiras, fornecedores, clientes e sistemas de gestão ajudam a diminuir assimetrias de informação e a ampliar a transparência sobre as operações. Mais do que facilitar o acesso a recursos, essas estruturas permitem compreender a real necessidade de financiamento, apoiar o planejamento e sustentar a resiliência das empresas diante de períodos de transformação econômica.

"A transformação que estamos vivendo mostra que o diferencial competitivo não estará apenas em ter acesso ao crédito, mas em saber utilizá-lo na medida correta. Empresas que conseguem integrar informações, antecipar cenários e tomar decisões com base em dados terão mais condições de atravessar períodos de mudança com estabilidade e eficiência financeira", conclui.

Com a transição tributária em andamento e o crédito empresarial sob pressão, a previsibilidade financeira desponta como fator central para atravessar o período de ajustes. A capacidade de dimensionar a real necessidade de capital, e não apenas de captar recursos, tende a separar as empresas que preservam estabilidade daquelas que ampliam custos e dependência em meio às mudanças do ambiente econômico.

Para mais informações, basta acessar: https://www.nexxera.com/

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