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Economia impulsiona armazenamento de energia em baterias

Adoção da tecnologia BESS cresce em setores industriais, comerciais e de eventos como alternativa para estabilidade energética e descarbonização

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
29/07/2026 às 13h01
Economia impulsiona armazenamento de energia em baterias
Curadoria interna

O setor elétrico brasileiro vive uma transformação em que o desafio deixa de ser apenas a geração de energia e passa a incluir, cada vez mais, sua capacidade de armazenamento. Com o avanço das fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, os sistemas Battery Energy Storage System (BESS) vêm se consolidando como uma infraestrutura estratégica para garantir segurança energética, continuidade operacional e maior eficiência de custos para empresas de diferentes segmentos.

A crescente demanda por tecnologias capazes de disponibilizar energia sob demanda — independentemente das oscilações da rede elétrica — tem impulsionado a adoção de soluções de armazenamento em todo o país. Além de aumentar a confiabilidade do fornecimento, esses sistemas ajudam a reduzir os impactos dos picos de consumo, contribuindo para uma operação mais eficiente e sustentável.

O avanço do armazenamento de energia também é impulsionado pelas perspectivas de crescimento do mercado brasileiro. Estudos do setor indicam que o país deverá atrair bilhões de reais em investimentos em sistemas de armazenamento por baterias até o fim da década, impulsionado pela expansão das fontes renováveis, pela busca por maior confiabilidade energética e pela redução dos custos da tecnologia. Paralelamente, o governo federal vem avançando na estruturação de mecanismos regulatórios e de contratação específicos para o armazenamento de energia, criando um ambiente favorável para a expansão desse mercado e para o fortalecimento da segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A tecnologia BESS permite que indústrias, comércios e empreendimentos armazenem energia em períodos de menor demanda ou menor custo e a utilizem em momentos de maior consumo, tarifas mais elevadas ou instabilidades na rede. Além de contribuir para a estabilização da tensão elétrica, os sistemas oferecem uma alternativa silenciosa, flexível e de baixas emissões, reduzindo a dependência de fontes fósseis em diversas aplicações.

O mercado brasileiro já começa a desenvolver modelos de negócio que unem inovação tecnológica e economia circular. Um exemplo é a iniciativa da Tecnogera, empresa especializada em soluções de energia temporária e equipamentos para trabalho em altura, que desenvolveu um sistema BESS móvel a partir do reaproveitamento de baterias de lítio provenientes de sua frota de plataformas elevatórias.

A solução utiliza baterias que já não apresentam desempenho ideal para aplicações de tração, mas que ainda possuem elevada capacidade para armazenamento estacionário de energia. Dessa forma, os componentes ganham uma segunda vida útil, reduzindo a geração de resíduos e ampliando o aproveitamento dos ativos.

Segundo o líder financeiro da Tecnogera, Vinícius Curi, a iniciativa demonstra como sustentabilidade e eficiência econômica podem caminhar juntas.

"A viabilidade dos sistemas de armazenamento no Brasil está diretamente ligada à capacidade de inovação e ao reaproveitamento inteligente de ativos. Ao conectarmos a operação de equipamentos para trabalho em altura com a oferta de energia temporária, conseguimos oferecer uma solução que reduz custos operacionais para o cliente final e acelera o processo de descarbonização das empresas", afirma Curi.

A aplicação desses sistemas já é uma realidade em operações de grande porte. Unidades móveis de armazenamento vêm sendo utilizadas para garantir o fornecimento de energia em eventos, operações comerciais e instalações críticas, funcionando como uma reserva energética de rápida resposta e aumentando a resiliência das operações.

No caso da Tecnogera, o investimento de aproximadamente R$ 1 milhão no desenvolvimento da tecnologia reforça a estratégia da companhia de ampliar seu portfólio de soluções voltadas à transição energética e à redução das emissões de carbono.

Além dos benefícios ambientais, o armazenamento em baterias contribui para a redução dos custos operacionais ao otimizar o consumo de energia e minimizar a necessidade de acionamento de geradores movidos a combustíveis fósseis. Essa combinação entre eficiência econômica, segurança energética e sustentabilidade tem impulsionado a adoção da tecnologia em diversos segmentos da economia.

Com o avanço das regulamentações do setor e a gradual redução dos custos das baterias de lítio, a expectativa é que os sistemas de armazenamento se tornem parte cada vez mais presente da infraestrutura energética brasileira. A tendência é que edifícios comerciais, plantas industriais, centros logísticos e grandes eventos incorporem essa tecnologia em larga escala, fortalecendo a segurança do sistema elétrico e acelerando a transição para uma matriz energética mais sustentável.

Ao transformar baterias que já cumpriram sua função em aplicações de mobilidade em novos ativos para armazenamento de energia, iniciativas como a da Tecnogera demonstram que a economia circular pode ser um dos principais motores da inovação energética no Brasil, conciliando competitividade, responsabilidade ambiental e desenvolvimento sustentável.

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