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Minério verde redefine competitividade no mercado do aço

Medidas adotadas por grandes economias ampliam busca por insumos capazes de viabilizar produção de aço de baixo carbono.

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
03/03/2026 às 15h18
Minério verde redefine competitividade no mercado do aço
Ludson Frazel

A indústria global do aço atravessa uma mudança estrutural que combina política climática, regulação econômica e transformação tecnológica. Segundo a International Energy Agency (IEA), o setor siderúrgico responde por cerca de 7% das emissões globais de CO₂ relacionadas à energia, o que o posiciona entre as atividades industriais mais intensivas em carbono do mundo. O tema ambiental deixou de representar apenas compromisso institucional e passou a influenciar diretamente preços, investimentos e competitividade internacional. No centro dessa transição está a necessidade de reduzir emissões em uma das cadeias produtivas mais intensivas em carbono do planeta.

Esse é o contexto em que ganha cada vez mais relevância o pellet feed, concentrado de minério de ferro de alto teor e baixa sílica, considerado essencial para processos siderúrgicos mais eficientes. De acordo com o relatório Iron and Steel Technology Roadmap, da IEA, a adoção de matérias-primas de maior qualidade está entre os fatores que contribuem para reduzir a intensidade de emissões na produção de aço. A qualidade do material permite maior aproveitamento energético e menor intensidade de emissões ao longo da produção, característica que passa a representar vantagem competitiva diante das novas exigências regulatórias.

O principal vetor dessa mudança vem da União Europeia, com a criação do Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), mecanismo idealizado para incorporar o custo das emissões de carbono em produtos importados como ferro e aço. Segundo a Comissão Europeia, o CBAM busca equiparar o preço do carbono entre produtos europeus e importados, com o objetivo declarado de evitar a chamada "fuga de carbono", situação em que empresas transferem produção para países com regras ambientais menos rígidas.

Na prática, a medida altera a lógica do comércio global. Conforme cronograma oficial do CBAM disponível na Comissão Europeia, a fase definitiva do mecanismo entrou em vigor em 2026, quando o custo das emissões passou a ser incorporado progressivamente às importações de setores como ferro e aço. Produtos fabricados com maior intensidade de emissões tendem a perder competitividade no mercado europeu, enquanto cadeias produtivas mais eficientes passam a ganhar espaço. Especialistas em comércio internacional apontam que a precificação do carbono consolida a política climática como variável econômica direta nas decisões industriais e logísticas.

A pressão regulatória encontra respaldo técnico em estudos internacionais. O relatório Iron and Steel Technology Roadmap, da International Energy Agency (IEA), aponta que a siderurgia ocupa posição central na agenda climática global e precisará adotar novas tecnologias e matérias-primas mais eficientes para reduzir as emissões de dióxido de carbono. A agência, uma das principais instituições globais em análise energética e industrial, destaca no documento que a transformação do setor depende tanto da inovação tecnológica quanto da qualidade dos insumos utilizados na produção.

A transformação não se limita à Europa. Segundo diretrizes divulgadas pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, o país estabeleceu metas para modernizar sua capacidade siderúrgica e reduzir emissões do setor, reforçando o alinhamento com padrões ambientais mais rigorosos. Quando os principais polos produtores e consumidores caminham na mesma direção regulatória, toda a cadeia internacional de mineração passa por reorganização.

O avanço das tecnologias voltadas à produção de aço de baixo carbono altera também o perfil das matérias-primas utilizadas pela indústria. Processos mais eficientes exigem minérios com maior pureza química e menor presença de impurezas, condição que amplia a procura por insumos de alto teor, como o pellet feed, cuja oferta global permanece mais restrita em comparação ao minério convencional.

Para Lucas Kallas, presidente do Conselho da Cedro Participações, a descarbonização do aço marca uma mudança estrutural e redefine critérios de competitividade global. "O setor irá priorizar eficiência ambiental e desempenho técnico. Assim, o minério de alto teor vai deixar de ser diferencial e se tornar condição para empresas que querem permanecer relevantes nos próximos anos", afirma.

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