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Downburst: Simepar detalha fenômeno que atingiu Campina Grande do Sul e Sudoeste

O fenômeno conhecido como microexplosão causa rajadas de vento fortes e destrutivas, normalmente associadas com o colapso da chuva que está dentro...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
20/02/2026 às 08h05
Downburst: Simepar detalha fenômeno que atingiu Campina Grande do Sul e Sudoeste
Foto: Reprodução/Secom Paraná

A primavera e o verão são estações em que as tempestades são frequentes. No verão elas ocorrem de forma mais localizada, e geralmente no horário de maior aquecimento. Na última semana, em que principalmente a faixa oeste do Paraná vivenciou dias de calor intenso, várias tempestades severas foram registradas, algumas incluindo casos que os meteorologistas chamam de downburst.

Foi o que ocorreu em Campina Grande do Sul, na tarde de terça-feira (17). Um volume de chuva de 59,6 mm foi registrado entre as 17h e as 21h na estação hidrológica do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) na represa do Capivari, sendo 46 mm dessa quantidade em apenas meia hora. A chuva veio acompanhada de uma forte rajada de vento, que atingiu em específico um conjunto comercial que fica atrás de um posto de combustíveis às margens do km 48 da BR-116. O telhado colapsou, atingindo caminhões e carros. Ninguém se feriu.

A equipe do Simepar analisou imagens de satélite, radares e sensores de raios, para estudar a movimentação da tempestade. Nenhum indício de vento em rotação foi encontrado. Na manhã seguinte, o coordenador de operações Marco Jusevicius e o gerente de Infraestrutura e Hidrologia, José Eduardo Gonçalves, sobrevoaram a região do posto com um drone adquirido pelo Simepar com recursos da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA).

O drone é equipado com um sensor que faz mapeamentos. O equipamento mapeou uma área de 180 hectares ao redor da área atingida, em oito metros por segundo de velocidade, durante 40 minutos. Além do sobrevoo, Marco conversou com pessoas que estavam no local no momento da ocorrência, analisou os danos no local, e os meteorologistas do Simepar também conversaram com moradores da região que fizeram imagens da formação da tempestade.

O mapeamento, analisado pela equipe de Geointeligência do Simepar, confirmou que não há até o momento nenhum indício de tornado, e os dados colhidos apontam para um downburst - neste caso, uma microexplosão.

“O fenômeno conhecido como microexplosão causa rajadas de vento fortes e destrutivas, normalmente associadas com o colapso da chuva que está dentro da nuvem na direção do solo. Ela precipita praticamente todo o volume de água que possui de só uma vez, e junto com isso ela arrasta o ar, criando rajadas de vento muito fortes em superfície”, explica Marco.

O termo downburst é parte dos estudos de Theodore Fujita, o mesmo cientista que criou a escala utilizada mundialmente para classificação de tornados. O downburst causa danos em áreas muito pequenas, inferiores a 4 km de comprimento, como foi o caso de Campina Grande do Sul, o que pode ser chamado de microburst. Em áreas maiores, superiores a 4 km de comprimento, ele classifica como macroburst.

Os danos causados em superfície são diferentes dos danos de um tornado, entretanto podem ser tão destrutivos quanto. No downburst os ventos se espalham lateralmente em movimento divergente, enquanto os tornados provocam danos com ventos em movimento convergente.

EVENTOS DO SUDOESTE– Na quarta-feira (18), mais tempestades foram registradas no Paraná. Em Maripá, dados de radar permitiram estimar volumes de chuva em torno de 50 mm em curto espaço de tempo, acompanhados de rajadas de vento entre 60 km/h e 70 km/h. Cidades como Manoel Ribas, Realeza, Jardim Alegre e Quedas do Iguaçu também registraram temporais e vento forte, que derrubou árvores, destelhou casas e danificou estruturas como silos e barracões.

Assim como em Campina Grande do Sul, analisando imagens de radar, de satélite e as fotos e vídeos dos locais atingidos, em nenhuma destas ocorrências foram identificados até o momento sinais que apontassem para a ocorrência de um tornado. As tempestades tiveram registros de downdraft, ou seja, fortes rajadas de vento descendo da nuvem. Os dados de radar em todas as cidades citadas, na tarde de quarta-feira (18), são compatíveis com downburst.

“Os eventos que nós verificamos, basicamente desde o início da primavera até o momento no Paraná, mostraram uma diversidade muito grande de tempestades severas, onde nós tivemos tornados, com evidências e dados meteorológicos corroborando essas evidências, mas também outros tipos de tempestade severa, como as microexplosões, que também ocasionam rajadas fortes e causam danos”, lembra Marco.

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