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Organização meteorológica alerta para riscos climáticos na AL e Caribe

WMO classifica a situação na região como alarmante

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
22/07/2022 às 18h30

Alarmante. Assim a Organização Meteorológica Mundial (WMO, do inglêsWorld Meteorological Organization) classificou a conclusão de especialistas que apontam que a tendência de aquecimento em toda a América Latina e Caribe se manteve ao longo do ano de 2021.

Em um relatório sobre as condições climáticas regionais que divulgou hoje (22), a organização sustenta que a temperatura subiu, em média, 0,2% entre 1991 e 2001, ao passo que, anteriormente, a taxa média de 0,1% de aumento por década se manteve por quase quarenta anos (1961/1990).

O relatório também documenta “as mais altas taxas de desmatamento” verificadas na América Latina e Caribe desde 2009. Ele aponta as consequências destas mudanças para os ecossistemas, a segurança alimentar e hídrica, a saúde humana e para as economias locais, como megassecas, chuvas extremas, ondas de calor, derretimentos de geleiras e a consequente elevação do nível do mar – eventos climáticos extremos com prejuízos ambientais, sociais e econômicos.

De acordo com os especialistas da WMO, as geleiras dos Andes tropicais perderam 30% ou mais de sua área desde a década de 1980, com uma tendência de balanço de massa de água negativo equivalente a -0,97 metros entre 1990-2020. Fato que aumenta o risco de escassez de água para a população e os ecossistemas andinos. Só no Peru, algumas geleiras perderam mais de metade de sua área original.

A publicação alerta que a elevação do nível do mar ameaça um grande número de pessoas concentradas em áreas costeiras, seja com inundações ou com a erosão costeira, seja pela potencial contaminação de aquíferos de água doce e formação de tempestades. E estima que o desmatamento na floresta amazônica brasileira atingiu, em 2021, o nível mais alto desde 2009, com a destruição de uma área florestal 22% superior à de 2020.

O documento ainda destaca que algumas áreas estão passando por mudanças na frequência e gravidade de extremos climáticos, como chuvas fortes, em consequência das variações climáticas registradas na América Latina e Caribe. Os oceanos Pacífico e Atlântico, por exemplo, estão se aquecendo e se tornando mais ácidos como resultado da maior concentração de dióxido de carbono – fenômeno que coloca em risco o abastecimento de alimentos.

Para os especialistas, o continente sul-americano está entre as regiões do mundo com maior necessidade documentada de fortalecimento dos sistemas de alerta precoce de múltiplos perigos e os Andes, o nordeste brasileiro e o norte da América Central, algumas partes do México e até mesmo a Amazônia são áreas sensíveis às mudanças climáticas em curso e que, por isso mesmo, exigem maior atenção.

A fim de reduzir os potenciais impactos adversos, os especialistas defendem investimentos feitos de forma mais “adequada” no fortalecimento dos serviços climáticos e em seus componentes – incluindo sistemas de observação e de informações climáticas e de gerenciamento de dados – além dos já citados sistemas de alerta.

Lançado durante o painel de alto nível organizado pela OWM, pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Uneclac) e pelo Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (Undr), o relatório Situação do Clima na América Latina e no Caribe em 2021 é o segundo de uma série anual e pode ser acessado na página da organização , na internet.

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