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Fisioterapia ajuda a minimizar sintomas do pós-Covid

As sequelas provocadas pela doença também podem acometer pacientes que não precisaram de internação; tratamento com fisioterapia proporciona aos pa...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
06/07/2022 às 16h10

A Covid-19 pode afetar múltiplos órgãos, causando diferentes sequelas em cada organismo. Até pessoas tidas como saudáveis, que apresentam bom condicionamento físico, não estão imunes a ter um evento adverso no pós-covid-19, como uma parada cardiorrespiratória. E estes sintomas ou problemas ligados à doença podem reaparecer vários meses depois da contaminação pelo novo coronavírus. 

Um estudo publicado na revista científica The Lancet, sobre a evolução tardia de pacientes que tiveram a doença, demonstrou que 76% dos 1.733 pacientes avaliados apresentavam algum sintoma persistente, mesmo seis meses após a infecção aguda. Os sintomas mais comuns foram o cansaço e a fraqueza muscular, presentes em 63% dos casos, seguidos por dificuldade para dormir, ansiedade e depressão. Além disso, entre os que desenvolveram casos graves da infecção, 56% desenvolveu algum tipo de alteração pulmonar significativa.

De acordo com o fisioterapeuta Vinicius Minatel, professor do Centro Universitário Tiradentes (Unit Alagoas), o tratamento fisioterapêutico, principalmente no processo de reabilitação motora e cardiopulmonar, torna-se fundamental para minimizar os danos causados pela doença e garantir uma recuperação adequada para estes pacientes. 

Ele lembra que a Covid-19 pode atingir múltiplos órgãos e sistemas do corpo, e que as sequelas podem ser das mais variadas, como função pulmonar prejudicada, fadiga, fraqueza muscular, limitação da mobilidade e da capacidade de realizar atividades diárias, alterações cognitivas, desordens mentais e psicológicas. 

Em outro estudo, realizado pelo professor Minatel com os alunos Cassius Iury e Caroline de Menezes Pinto, analisando com pessoas de Maceió e região que ficaram internadas e foram tratados com SARS-CoV-2, observou-se que, em muitos casos a fraqueza muscular e o cansaço para fazer as atividades do dia a dia se fizeram presentes no pós-Covid-19. No estudo, foram avaliados 18 pacientes, sendo nove (50%) do sexo feminino, com variação de idade entre 21 a 67 anos. 

Ao analisar os resultados, o sexo feminino apresentou fadiga substancial nos dois grupos, na qual se mantém presente até 12 meses após alta hospitalar. Porém, os indivíduos do sexo masculino não apresentam marcadores de fadiga pós-alta hospitalar medido através das escalas DUFS, DEFS e FSS. Os resultados obtidos através da aplicação do PFSDQ-M, demonstraram que os participantes do sexo feminino apresentaram alterações na forma de realizar as AVD’S, tal como nos escores totais devido a presença de relatos de fadiga e dispneia. Porém, para os participantes do sexo masculino não foi observado impacto significativo da dispneia e fadiga sobre as AVD’s.

Para Vinícius, é necessário que o paciente faça uma avaliação médica e, encontradas sequelas, busque atendimento em fisioterapia para verificar qual o nível de atividade funcional o corpo dele se encontra, para que, assim, seja submetido a um programa de reabilitação.

“Os pacientes pós-Covid-19 podem ter sequelas, sejam elas motoras ou até mesmo vasculares, o que deixa com maior propensão de formar trombos, por isso, eles precisam fazer uma retomada gradativa das atividades, sendo que esta retomada vai depender da necessidade que o paciente vai apresentar. É preciso que ele tenha ciência que por causa das sequelas o corpo não terá o mesmo rendimento físico”, esclarece.

Ele acrescenta, ainda, que os pacientes que apresentaram sintomas leves ou moderados da doença e que, à época, não necessitaram de internação, também podem ter algum grau de comprometimento funcional. Cada caso requer um tratamento específico, por isso, todos os pacientes internados necessitam de um tratamento de Fisioterapia Respiratória, Fisioterapia Motora e Terapia Ocupacional para reabilitação. Já o tempo de recuperação dos pacientes vai depender da gravidade das sequelas, da idade e da presença de outras comorbidades.

“A fisioterapia vai proporcionar a estas pessoas um treinamento para a retomada do condicionamento aeróbico e musculoesquelético, ajudando a recuperar a força muscular, o condicionamento cardiovascular, a força muscular inspiratória e expiratória, melhora da sensação de dispneia e da efetividade da tosse, a independência para realizar as atividades de rotina e o retorno às atividades sociais e laborais”, destaca o especialista.

(com informações do Ministério da Saúde)


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