
O Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), unidade que integra o Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT) gerenciado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), iniciou o projeto social K9Cura, uma iniciativa de cinoterapia policial voltada ao atendimento de crianças com necessidades especiais e idosos institucionalizados, nesta terça-feira (31).
A modalidade terapêutica, desenvolvida em parceria com a Companhia de Operações com Cães da Polícia Militar do Paraná (CIOC), utiliza a interação com animais treinados para promover melhorias físicas, cognitivas, emocionais e sociais aos pacientes.
O projeto piloto no hospital prevê o atendimento semanal de três a cinco pacientes, com sessões que podem variar de 30 a 60 minutos. O objetivo é estimular habilidades motoras e reduzir os níveis de ansiedade e estresse durante o tratamento e acontece com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar que envolve a participação de policiais militares cinotécnicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos e pedagogos.
O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, destacou que o atendimento oferecido no Hospital de Reabilitação busca devolver não apenas a função motora, mas também a autoestima e a qualidade de vida dos paranaenses atendidos na rede pública. “O projeto integra as estratégias complementares aos tratamentos tradicionais já oferecidos pela unidade, com o objetivo de promover o engajamento terapêutico e o fortalecimento do vínculo afetivo entre o paciente e o animal”, explicou.
TERAPIA COM CÃES - No Brasil, a cinoterapia foi introduzida na década de 1950 e estudos internacionais comprovam os efeitos positivos entre crianças autistas e cães terapeutas. Os indicadores de resultados são avaliados pela evolução dos pacientes com base na melhora de aspectos motores, cognitivos, sociais e emocionais.
A iniciativa no CHR conta com o cão Balu, que passou por um rigoroso processo de formação e adaptação para atuar como mediador terapêutico. Ele foi bem recebido pelos pacientes, seus responsáveis e pela equipe do hospital. A escolha do Golden Retriever como cão de apoio no projeto de cinoterapia não se baseia em uma exigência exclusiva da raça, mas sim em seu amplo reconhecimento internacional pela alta taxa de sucesso nesse tipo de intervenção.
"Há iniciativas ao redor do mundo que demonstram que essa raça apresenta características ideais para terapias assistidas por animais, como temperamento dócil, sensibilidade e facilidade de socialização. Por isso, a priorização do labrador se dá como uma medida de eficiência na aplicação dos recursos públicos, evitando tentativas com raças que podem não apresentar o mesmo nível de resposta comprovada", explica o capitão Marcelo Hoiser, comandante da companhia.

Segundo o diretor-superintendente do Complexo Hospitalar do Trabalhador, Guilherme Graziani, a missão do CHT vai além do atendimento hospitalar e busca devolver a autonomia, dignidade e acolhimento social da família. “O projeto une a força da Polícia Militar com o cuidado humano por meio da terapia assistida por cães e nasce de uma necessidade de oferecer novas formas de tratamento de crianças que são acompanhadas no Hospital de Reabilitação”, explicou Graziani.
CUIDADO INTEGRAL - O Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier é uma referência estadual do Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade realiza anualmente mais de 80 mil atendimentos, incluindo reabilitação multiprofissional e realização de cirurgias de alta complexidade.
A estrutura do hospital conta com um moderno centro de reabilitação física, equipado com ginásio especializado e piscina terapêutica, onde ocorre a maior parte da produção assistencial voltada à recuperação motora e funcional. A unidade mantém uma parceria estratégica com a AACD para o aprimoramento contínuo de seus protocolos clínicos e treinamento de equipes.
No campo da tecnologia, o CHR apresenta números expressivos de produção. Apenas em 2025, a unidade foi responsável pela entrega de 3.595 órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção, além de 1.234 implantes auditivos. O hospital, atualmente habilitado como Centro Especializado em Reabilitação tipo III, está em processo de credenciamento para o nível IV, ampliando seus serviços para incluir o atendimento a pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a intervenção precoce em bebês de risco.


