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Dia da Mentira: trotes ao 193 dos bombeiros podem colocar vidas em risco

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná reforça que falso chamado para serviços de emergência é crime com punições cabíveis. No Paraná, a Lei Estad...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
31/03/2026 às 17h32
Dia da Mentira: trotes ao 193 dos bombeiros podem colocar vidas em risco
Foto: Reprodução/Secom Paraná

Neste 1º de abril, data conhecida como o Dia da Mentira, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) alerta para uma atitude que pode ter consequências graves: os trotes para serviços de emergência. A corporação reforça que ligações falsas para o telefone 193, número de atendimento a emergências dos bombeiros militares, comprometem o atendimento de ocorrências reais, mobilizam equipes desnecessariamente e colocam vidas em risco.

“Trote não é brincadeira, é crime e pode custar vidas”, enfatiza a porta-voz do CBMPR, capitã Luisiana Guimarães Cavalca.

Quando uma pessoa liga para o número 193, a chamada é atendida pela Central de Operações dos Bombeiros (Cobom), principal porta de entrada para pedidos de socorro em acidentes, incêndios e outras situações graves. Ao receber a chamada, os atendentes fazem a triagem de acordo com o tipo de ocorrência, para então determinar a quantidade e o tipo de veículo a ser deslocado, além do número de bombeiros necessários para o atendimento.

A capitã explica que, em falsos chamados de ocorrência, toda esta logística também é acionada, mas nestes casos os bombeiros perdem tempo e recursos que poderiam ser empregados em emergências reais. O resultado dos trotes é o atraso no socorro, gerando gasto público e desgaste das equipes mobilizadas desnecessariamente. “A partir do momento em que uma viatura se desloca para uma ocorrência falsa, aquela região fica desguarnecida. Se surgir uma situação real, o atendimento pode demorar mais e isso traz prejuízo direto para quem realmente precisa”, afirma.

FALSO INCÊNDIO- A oficial recorda de uma ocorrência atendida por ela em Maringá, em que dois caminhões de quartéis diferentes foram mobilizados após a informação de um incêndio de grandes proporções em uma residência. Ao chegarem ao local, as equipes não encontraram a situação descrita e, após contato com o Cobom, foi constatado que o telefone informado era falso. A mobilização desnecessária deixou as áreas atendidas pelos quartéis temporariamente sem cobertura operacional.

Já nos casos de atendimento pré-hospitalar, em que cada minuto é decisivo, o prejuízo dos trotes para a população é ainda maior. Nessas situações, a agilidade é fundamental para o que os bombeiros e profissionais de saúde chamam de “hora de ouro”, que se refere ao tempo de resposta.

“A rapidez na prestação do atendimento pré-hospitalar e no encaminhamento da vítima para o tratamento efetivo no hospital é muito importante para a sobrevida da pessoa e para minimizar sequelas. Quando uma viatura precisa ser deslocada de outro bairro, por exemplo, o atendimento pode demorar entre 10 e 15 minutos a mais, o que pode agravar a situação”, explica a bombeira militar.

TROTE É CRIME- Passar trote para serviços de emergência é crime com punições cabíveis. No Paraná, a Lei Estadual nº 17.107, de 2012, prevê sanções administrativas para quem realiza ligações falsas, incluindo a aplicação de multa e a responsabilização do titular da linha telefônica, ainda que o autor seja menor de idade.

Além disso, a conduta pode ser enquadrada no Código Penal Brasileiro. O artigo 340 trata da comunicação falsa de crime ou de ocorrência, com pena de detenção de um a seis meses ou multa. Dependendo do caso, também pode ser aplicado o artigo 266, que prevê reclusão de um a três anos e multa para quem interrompe ou perturba serviço público. Em situações envolvendo menores, os pais ou responsáveis podem ser chamados para prestar esclarecimentos e responder administrativamente.

ALERTA AOS PAIS E TUTORES - De acordo com o CBMPR, grande parte dos trotes ocorre durante a noite e a madrugada ou em períodos de férias escolares, quando crianças têm acesso a celulares sem supervisão. Também há casos envolvendo pessoas com deficiência intelectual que ligam para a central para conversar.

Para evitar esse tipo de situação, a capitã reforça a importância da supervisão. “Os pais e tutores devem ficar atentos ao uso de telefones por crianças ou pessoas com deficiência intelectual. Ao menor descuido, elas podem ligar para os serviços de emergência e atrapalhar o atendimento”, comenta a capitã Luisiana.

NÃO É BRINCADEIRA- O CBMPR orienta que o 193 seja utilizado apenas em situações reais de emergência. Evitar ligações falsas é uma forma direta de contribuir para que o atendimento chegue mais rápido a quem realmente precisa.

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