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Egresso da UEPG conheceu 40 países, morou em seis e se tornou professor na França

A jornada de Daniel Malanski até se tornar professor universitário em Lyon, na França, exigiu compromisso, dedicação e muitos quilômetros rodados. ...

Redação
Por: Redação Fonte: UEPG
31/03/2026 às 17h18
Egresso da UEPG conheceu 40 países, morou em seis e se tornou professor na França
Foto: Reprodução/UEPG

A jornada de Daniel Malanski até se tornar professor universitário em Lyon, na França, exigiu compromisso, dedicação e muitos quilômetros rodados. Afinal, as escolhas de vida do professor fizeram ele conhecer cerca de 40 países e morar em seis: Brasil, Irlanda, Suécia, Hong Kong, Espanha e França. Mas, antes de tudo isso, Daniel iniciou sua história no Paraná. Nascido em Curitiba, o professor tem uma longa história com a cidade de Ponta Grossa e, em 2002, ele foi aprovado no vestibular e iniciou a graduação em Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG

Daniel (ao centro), com Rafael Klondatsch e Jeferson Augusto na UEPG (2003)

Após concluir o curso de Jornalismo, a carreira de Daniel buscou novos ares. Ele seguiu para a Europa, onde concluiu seu mestrado em Estudos de Comunicação e Mídia na Universidade de Estocolmo, na Suécia. Em seguida, foi até Hong Kong, onde trabalhou como assistente de pesquisa sênior na City University of Hong Kong. Em Taipei, capital de Taiwan, ele conheceu sua orientadora da Sorbonne Nouvelle – Universidade em Paris. “Foi em uma conferência que conheci a minha orientadora, a professora Catherine Bertho-Lavenir. Meu doutorado foi realizado em regime de cotutela entre a Sorbonne, onde obtive o título de doutor em História Cultural, e a Universidade Autônoma de Barcelona, onde obtive o título de doutor em Comunicação Audiovisual”, conta Daniel. Mesmo rodando o mundo, Daniel não abandonou o Brasil – afinal, o país é a base de suas pesquisas acadêmicas.

Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG

A tese do professor é baseada nas representações do Brasil – enquanto território, Estado e nação – nas exposições universais do século XIX e a forma como as representações foram renegociadas em megaeventos esportivos do século XXI, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O interesse pelo tema sempre esteve com Daniel, que acompanha desde muito cedo as cerimônias de aberturas dos Jogos Olímpicos.

Como tema de pesquisa, a ideia surgiu durante os Jogos de Londres, em 2012, quando era assistente de pesquisa do professor Walter Mignolo, em Hong Kong. “Nesse contexto, trabalhávamos com perspectivas decoloniais, que questionam a forma como a narrativa histórica é frequentemente construída a partir de um ponto de vista eurocêntrico, no qual determinados grupos são invisibilizados e no qual ideias como modernidade, progresso e desenvolvimento funcionam como modelos normativos – tendo a Europa como referência”, explica o professor.

Com a conclusão do doutorado, ele utilizou o mesmo método de análise e referenciais teóricos para outras cerimônias. Foi então que Daniel elaborou um projeto que foi selecionado pelo Irish Research Council. “Ao longo de dois anos, desenvolvi a pesquisa entre idas e vindas entre Dublin (Irlanda) – onde realizei meu pós-doutorado –, Lyon (França), onde já residiam minha esposa e meus filhos, e Lausanne (Suíça), onde se encontra a biblioteca de estudos olímpicos do Comitê Olímpico Internacional”, explica. O resultado desse trabalho foi o livro Olympic Opening Ceremonies: Memories and Modernity (Cerimônias de Abertura das Olimpíadas: Memória e Modernidade, em tradução livre).

Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG

“O livro propõe olhar para os Jogos Olímpicos como uma lente através da qual é possível observar questões globais mais amplas (como mudanças climáticas, tensões geopolíticas, desigualdades sociais e transformações culturais). Ao mesmo tempo, ele mostra que, embora os Jogos sejam um evento global, as cerimônias de abertura carregam fortes referências locais, o que permite compreender como culturas específicas se inserem, ou são moldadas, por dinâmicas globais”, defende o professor.

Para ele, as cerimônias não devem ser vistas como entretenimento ou celebrações culturais, mas como construções organizadas que carregam mensagens sobre política, identidade e ideologia. “As escolhas estéticas – os símbolos, as performances, os temas – refletem relações de poder, indicando quem fala, quem é visibilizado e quem permanece invisível. Isso abre espaço para refletir sobre debates contemporâneos ligados a minorias, diversidade e pertencimento”, explica Daniel.

Para chegar ao seu atual espaço como professor da Universidade de Lyon, Daniel reconhece a importância da UEPG e do curso de Jornalismo. “O curso de Jornalismo da UEPG foi determinante na minha trajetória. Tive a oportunidade de aprender com professores como Silvio Demetrio, Leandro Marshall, Sergio Gadini, Karina Janz Woitowicz e Vanessa Zappia, entre outros. Suas aulas contribuíram decisivamente para a minha formação, despertando o interesse em compreender o mundo e os diferentes contextos sociais em que estamos inseridos, e em refletir sobre os modos pelos quais narrativas são construídas e disputadas”, explica. Ele relembra também que, durante a graduação, realizou estágio na própria assessoria da Universidade, entre 2004 e 2005.

Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG

Atualmente, Daniel trabalha na Faculdade de Ciências do Esporte, onde ministra disciplinas de História do Esporte, Geopolítica e Comunicação, tanto na graduação quanto na pós-graduação. Também atua como professor visitante na Academia Olímpica Internacional, braço acadêmico do Comitê Olímpico Internacional, em Olímpia, na Grécia. Nesse contexto, leciona para estudantes de pós-graduação de diferentes partes do mundo, abordando a história, o impacto e o significado sociocultural das cerimônias olímpicas.

Vida pessoal

Atualmente, Daniel visita sua família no Brasil a cada dois anos, aproximadamente. “Como temos filhos em idade escolar e leciono na universidade, torna-se difícil conciliar a agenda de todos e encontrar o melhor momento para viajar”, explica. Daniel casou com Olívia, uma francesa, e juntos têm dois filhos que são franceses e brasileiros. “Atualmente, a maior parte da minha família mora em Curitiba – meus pais se mudaram para lá na década de 1970, e o restante da família foi se transferindo a partir dos anos 2000. Por isso, faz tempo que não vou a Ponta Grossa. Também tenho um irmão em Brasília e uma irmã em Gotemburgo, na Suécia”, conta Daniel.

Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG
O livro

O livro “Olympic Opening Ceremonies: Memory and Modernity”, publicado pela editora britânica Routledge (Londres), está prestes a completar um ano e deverá ganhar em breve uma edição em brochura, mais acessível. De acordo com levantamento realizado via WorldCat, a obra encontra-se atualmente disponível em 109 bibliotecas universitárias, distribuídas por diferentes continentes. Entre elas, bibliotecas de instituições como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), assim como a Columbia University, New York University, University of Illinois, Université de Montréal, McGill University, University of Amsterdam, University of Edinburgh, University of Glasgow, além da biblioteca do Comitê Olímpico Internacional, em Lausanne.

A história com a UEPG

A relação de Daniel com a cidade e a UEPG é anterior a sua entrada no curso de graduação. Seu avô paterno, o professor Eugênio Malanski, lecionou no Departamento de Geografia, chegando a ser nome do centro acadêmico do curso na época. Atualmente, o nome do professor Eugênio Malanski também é um Colégio Estadual localizado na Rua Santa Mônica.

Texto: André Packer | Fotos: Arquivo pessoal

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