
A colheita da safra de verão 2025-2026 da soja caminha para o fim, com 82% da área de 5,77 milhões de hectares já colhida, segundo a Previsão Subjetiva de Safra (PSS), divulgada nesta quinta-feira (26) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento. A produção estimada é de 21,88 milhões de toneladas.
No caso do milho primeira safra, o analista do Deral, Edmar Gervasio, destaca a alta produtividade. Segundo ele, é a primeira vez, em muitos anos, que o Estado registra ganho de área na primeira safra. É um ganho significativo com 25% a mais comparando com a safra anterior. Além desse ganho de área, tivemos aumento de produtividade, o que é de certa forma, um pouco anormal, pois quando aumenta a área a tendência é uma média menor de produtividade”, explica.
“Se continuar assim, no final do ciclo da primeira safra devemos colher 3,8 milhões de toneladas, que significa uma produtividade média acima de 11 mil quilos por hectare. Seria a maior média da história, superando os 10,8 mil do recorde anterior”, projeta o Gervasio.
Com a proximidade dos plantios de inverno, o cenário aponta para mudanças estratégicas na ocupação do solo de outras culturas. Segundo o Deral, a cevada desponta como protagonista. Impulsionada pela forte demanda das indústrias de malte e pela excelente absorção da safra anterior, a área de cevada deve crescer 14%, saltando para 118 mil hectares em 2026. Caso a produtividade se mantenha, o Estado pode ultrapassar a marca de meio milhão de toneladas do cereal. Já o trigo deve ceder 6% de sua área, principalmente para o milho segunda safra.
Ainda conforme a estimativa de safra, as aveias preta e branca também apresentam tendência de crescimento, com altas de 7% e 3% em área, respectivamente. Já o feijão, conforme o esperado pelo mercado, apresentou uma retração na área plantada em função de preços menos atrativos no momento.
Com relação à batata, a primeira safra no Paraná está praticamente colhida e já comercializada, com aumento recente nos preços devido à qualidade do produto. A segunda safra da batata avançou no plantio e se apresenta em início de colheita.
MEL– O mercado de mel também é destaque no boletim. Os números apontam que o Paraná consolidou a vice-liderança nas vendas externas no primeiro bimestre de 2026, com receita de US$ 2,387 milhões. O setor recebeu com otimismo a decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou as sobretaxas de 50% sobre o produto brasileiro, o que deve impulsionar as exportações a partir de abril.]
CAQUI- Já na fruticultura, o foco é a safra de caqui, que se concentra entre março e junho, período de maior oferta. Na última semana, o preço médio recebido pelo produtor paranaense foi de R$ 5,77/kg, com tendência de acomodação à medida que a colheita avança nos pomares do Estado. Embora a cultura tenha enfrentado desafios nos últimos anos, o Paraná segue como o quinto maior produtor nacional, com destaque para os municípios dos núcleos regionais de Curitiba, Ponta Grossa, Apucarana e Cornélio Procópio, que juntos contribuem com 72,3% dos volumes colhidos.
BOLETIM CONJUNTURAL– O Deral também divulgou nesta quinta-feira o Boletim Conjuntural, traçando um panorama de resiliência nas grandes culturas e de hegemonia absoluta na produção de proteínas animais. O boletim destaca que o setor agropecuário do Paraná encerra o mês de março consolidando marcas históricas: o Estado reafirma sua posição como a maior potência proteica do Brasil ao completar 19 anos consecutivos de liderança nacional na produção de carnes.
O desempenho de 2025, consolidado pela Pesquisa Trimestral do IBGE, projeta um 2026 de tranquilidade no topo do ranking. Na avicultura, por exemplo, o Estado deteve 34,4% do abate nacional, produzindo quase cinco milhões de toneladas em 2025. Sozinho, o Paraná abateu 2,299 bilhões de cabeças, um recorde histórico.
Já a suinocultura registrou o maior crescimento absoluto do País em volume de carne, com recorde de 1,226 milhão de toneladas. O ganho de produtividade tem sido evidente: o peso médio dos animais, em 2025, subiu para 95,2 kg, representando um aumento de 3,8% (3,5 kg por animal) em relação ao ano anterior.
Também contribui de forma significativa no setor de carnes a produção de tilápia. Apesar da entrada de importações do Vietnã no mercado nacional, o Estado mantém sua força exportadora. E o setor da pecuária de leite alcançou volumes recordes com 4,3 bilhões de litros entregues, um salto de 10% na produtividade anual.
“O Paraná não apenas mantém o título de maior produtor de carnes do País por quase duas décadas, como demonstra uma capacidade de crescimento”, aponta o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho.


