
Pequenos cafeicultores do Vale do Ivaí em breve poderão colocar no mercado suas marcas próprias de café. Com apoio do Governo do Estado, eles contam agora com uma unidade de beneficiamento instalada em Lidianópolis. A obra era uma antiga reivindicação de produtores da região, sobretudo, de um grupo de mulheres cafeicultoras.
A iniciativa de implantar a unidade de beneficiamento foi da equipe técnica do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), visando melhorar a qualidade do café produzido na região. Por meio de um convênio, a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) garantiu a aquisição dos equipamentos necessários para a unidade, um investimento de R$ 350 mil. A prefeitura de Lidianópolis cedeu um barracão para a instalação do maquinário.
Não é à toa que a inauguração da unidade, no último dia 18, foi festejada. Como a maioria dos cafeicultores é composta por pequenos proprietários, o equipamento deve agilizar e melhorar a qualidade do café produzido na região. A unidade de beneficiamento de Lidianópolis faz a classificação por peneira (tamanho do grão), por cor (identificando os defeitos dos grãos), por peso (densimetria), além de torrar e moer o café.
Com a unidade, os cafeicultores ganham mais autonomia e o equipamento melhora a vida do produtor que lida com o café na região. Um exemplo é a tarefa de seleção dos grãos que era feita manualmente e consumia até 30 dias de trabalho das mulheres cafeicultoras. Com as máquinas, a operação não leva mais que 40 minutos.
“É mais tempo que as produtoras vão ganhar para se dedicarem a outras atividades e a suas famílias, sem perder a tão desejada qualidade do produto final”, destacou Natalia Vettor, assistente social do IDR-Paraná de Borrazópolis que presta assistência ao projeto Mulheres do Café, desenvolvido pelo Instituto na região de Ivaiporã.
IDR E AS MULHERES DO CAFÉ- A Associação das Mulheres do Café da Região do Vale do Ivaí reúne 39 produtoras de Grandes Rios, Cruz Maltina, Borrazópolis Jardim Alegre, Ivaiporã, Cândido de Abreu e Lidianópolis. A organização das cafeicultoras faz parte do trabalho que o IDR-Paraná vem desenvolvendo há cinco anos na região. São as mulheres que lideram a cafeicultura no Vale do Ivaí. Justamente por isso, o Instituto realizou o Encontro Regional das Mulheres do Café do Vale do Ivaí, no dia da inauguração da unidade, em Lidianópolis.
O Encontro, patrocinado pela AMUVI (Associação dos Municípios do Vale do Ivaí) e a empresa Tijolão-Materiais de Construção, foi uma oportunidade para que as mulheres discutissem questões ligadas diretamente à participação feminina na cafeicultura. Cerca de 115 pessoas, entre produtoras e seus familiares, participaram das conversas com Renata Silva e Rodolfo Osório, ambos da Embrapa-Café de Brasília. A iniciativa também reforçou a valorização do trabalho das mulheres na cafeicultura.
Além de debaterem o equilíbrio de gênero na atividade e a importância do protagonismo feminino na atividade, os representantes da Embrapa Café visitaram duas propriedades em Grandes Rios para conhecer o trabalho realizado pelas mulheres que participam do projeto do IDR-Paraná. O resultado impressionou os visitantes. Para eles, o Paraná conseguiu desenvolver uma metodologia efetiva para valorizar e inserir as mulheres na cadeia da cafeicultura. Eles estudam a possibilidade de fazer um intercâmbio para que extensionistas de outros estados conheçam o projeto implantado no Paraná.
“É um reconhecimento sensacional para um trabalho tão novo, de apenas cinco anos. Com a mobilização das produtoras conseguimos captar recursos e hoje as mulheres têm orgulho de dizerem que são ‘mulheres do café’ e estão inseridas no ciclo produtivo. Conseguimos avanços tanto do ponto de vista social, como produtivo”, observou Natália, assistente social do IDR-PR.
COMERCIALIZAÇÃO- O próximo passo da Associação é incentivar a regularização de agroindústrias da região para aumentar a comercialização do café produzido no Vale do Ivaí. Natália informou também que a diretoria da emtidade está pensando em criar um espaço de comercialização, talvez um container a ser instalado próximo da unidade de beneficiamento para a vender o café.
“Seria uma vitrine para expor o produto da região. Estamos começando a investir na produção de cafés especiais. O volume ainda é pequeno, cerca de 1.000 quilos por safra. Agora, com a unidade de beneficiamento, esse volume deve aumentar e atrair outras mulheres cafeicultoras”, explicou Natália. Por enquanto as vendas são feitas no município e comunidades.
A unidade veio em boa hora. Os produtores de café da região do Vale do Ivaí estão fazendo o controle de pragas e doenças nos cafezais, mas daqui a 40 dias começa uma nova safra, com a promessa de mais produção e mais lucro. A partir de agora, os interessados podem ter sua marca própria ou coletiva e todo o beneficiamento pode ser feito na unidade de Lidianópolis.
A cafeicultura, atividade que sempre fez parte da história de muitas famílias da região, chega a uma nova fase com a produção de cafés especiais, de características únicas, que devem conquistar novos consumidores.


