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IDR-Paraná fortalece o turismo de base comunitária na Ilha do Maciel, em Pontal do Paraná

Atividade se torna instrumento estratégico de desenvolvimento sustentável na comunidade caiçara. Atuação o Instituto resultou em série de conquist...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
20/03/2026 às 14h51
IDR-Paraná fortalece o turismo de base comunitária na Ilha do Maciel, em Pontal do Paraná
Foto: IDR

Nas águas da Baía de Paranaguá, onde canoas coloridas e redes de pesca compõem a paisagem tradicional, a Ilha do Maciel, no município de Pontal do Paraná, consolida um novo capítulo de sua história. Com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o Turismo de Base Comunitária (TBC) se torna instrumento estratégico de desenvolvimento sustentável e de garantia territorial para a comunidade caiçara.

A iniciativa é conduzida pelo extensionista Charles Fernando Marins Peixoto, especialista em Gestão Turística, que atua diretamente na organização comunitária há mais de uma década, no planejamento participativo e na estruturação das ações de desenvolvimento local. O trabalho significa uma mudança importante para os moradores da comunidade.

A Ilha do Maciel tem mais de dois séculos de ocupação tradicional. Ao longo desse tempo foi cenário de conflitos fundiários e pressões relacionadas à expansão industrial e portuária na região. A origem das disputas remonta à Lei Estadual nº 249/1949 que desconsiderou a posse tradicional das famílias ao destinar áreas à empresa Balneária Pontal do Sul S/A. Diante dessa decisão, a organização comunitária tornou-se fundamental.

Em 2017 foi criada a Associação Comunitária dos Pescadores da Ilha do Maciel. Com apoio técnico do IDR-Paraná, os pescadores passaram a atuar de forma estruturada na defesa de seus direitos e na construção de alternativas econômicas sustentáveis.

SEGURANÇA- A atuação do Instituto resultou em conquistas importantes para a permanência das famílias no território. Entre elas está a obtenção do Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), instrumento que garante segurança jurídica aos moradores, frente a interesses externos. Também foi elaborado o Cadastro Ambiental Rural (CAR) Comunitário, assegurando reconhecimento ambiental e gestão coletiva do território.

A chegada da energia elétrica representou outro marco estrutural, ampliando a qualidade de vida, viabilizando o armazenamento adequado do pescado e permitindo melhorias na infraestrutura necessária ao turismo.

Desde 2016, a Ilha do Maciel integra os Circuitos Internacionais de Caminhadas na Natureza, evento promovido pelo IDR-Paraná que reúne aproximadamente 300 visitantes por edição. A mobilização envolve 19 famílias que oferecem alimentação típica e acolhimento aos participantes. “O cardápio é a expressão da identidade caiçara: arroz, feijão, peixe fresco frito, farinha de mandioca branca e sucos de frutas nativas da Mata Atlântica. Mais do que gerar renda pontual, o evento reforça o reconhecimento da comunidade como destino turístico de valor cultural e ambiental”, afirma Peixoto.

ALTERNATIVAS DE RENDA- O planejamento participativo, coordenado por Charles Peixoto, identificou oportunidades de diversificação e agregação de valor à produção local. Entre as iniciativas em desenvolvimento estão: produção de pescado defumado, ampliando vida útil e valor comercial do peixe capturado pelos pescadores; a fabricação de doces artesanais com frutos da floresta; o artesanato, o guiamento em trilhas ecológicas e vivências culturais; a estruturação da pesca de recreio; e o turismo de observação de aves. “Optamos por um modelo que prioriza o protagonismo comunitário, a geração de renda local e a conservação ambiental”, observa Peixoto.

A busca por alternativas econômicas para os moradores da ilha é essencial, já que sem uma renda que lhes garanta a sobrevivência, muitas famílias têm deixado a comunidade. Segundo levantamentos, em 2017, a comunidade reunia 43 famílias. Em 2023, o número foi reduzido para 27 famílias. Charles Peixoto, ressalta que esse fato reforça a necessidade de desenvolver estratégias que estimulem a permanência das novas gerações na comunidade.

FORMAÇÃO- Por meio do Diagnóstico Participativo Rural (DRP), metodologia aplicada pelos profissionais do IDR-Paraná, os próprios moradores contribuem na definição das prioridades de desenvolvimento da ilha. Atualmente, 70% dos responsáveis familiares estão em faixa economicamente ativa e 19, das 27 famílias, demonstram interesse direto em atuar com o Turismo de Base Comunitária.

Estão previstas capacitações em formação de guias, gestão de negócios comunitários e qualificação da infraestrutura paisagística, com foco na consolidação de um ecossistema econômico capaz de fortalecer a sucessão familiar e manter os jovens no território.

Para o IDR-Paraná, o Turismo de Base Comunitária na Ilha do Maciel vai além da atividade econômica. “Trata-se de uma estratégia integrada de desenvolvimento territorial, proteção ambiental e valorização da cultura caiçara” destaca Peixoto. "A experiência na Ilha do Maciel demonstra que o turismo responsável pode funcionar como instrumento de resistência frente à descaracterização territorial, promovendo desenvolvimento sustentável e preservando o patrimônio cultural do Litoral do Paraná", complementa.

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