
Henrique Portugal participou de entrevista no podcast Business Rock, conduzida pelo apresentador Sandrão, em que relatou sua trajetória musical e os desafios enfrentados na indústria fonográfica. O encontro, realizado em formato de bate-papo com duração aproximada de duas horas, abordou dados sobre o mercado e aspectos de sua carreira de mais de três décadas dedicadas à música brasileira.
Com 30 anos de carreira, mais de 5 milhões de discos vendidos e turnês realizadas em 14 países, o Skank consolidou-se como uma das bandas mais importantes do rock brasileiro. A formação clássica — Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti — conquistou reconhecimento internacional, incluindo um Grammy Latino, e protagonizou momentos históricos, como o show no Mineirão que reuniu mais de 50 mil pessoas.
Após o término do Skank em 2023, Henrique Portugal uniu forças com Charles Gavin (ex-Titãs) e George Israel (ex-Kid Abelha) para formar o projeto POP3. O trio revisita clássicos do pop rock nacional, incluindo sucessos de suas bandas anteriores e de outros artistas renomados. O primeiro show do POP3 aconteceu em 24 de julho de 2024, em Teresópolis (RJ), e desde então já realizaram mais de 200 apresentações, celebrando canções que marcaram época.
Uma conversa que vai além dos números
Sandrão, apresentador do programa, discutiu com Henrique desde a fragmentação das receitas no streaming até memórias afetivas de shows pelo Brasil inteiro.
De acordo com a revista Exame, a ANAFIMA afirma que o mercado musical brasileiro alcançou R$ 116 bilhões em 2024, mas menos de 1% desse valor chegou aos artistas via streaming. Dados do estudo Mercado Brasileiro da Música 2024 apontam que o setor fonográfico arrecadou R$ 3,48 bilhões, impulsionado pelo consumo.
Streaming: crescimento e desigualdade
Henrique comentou sobre as transformações do setor: "Para você andar de carro, você tinha que comprar um carro. Depois inventaram a locação de automóveis. Então, o preço de você comprar um carro é completamente diferente de você alugar um carro".
A analogia ilustra como a música migrou do modelo físico para o de prestação de serviços, fragmentando significativamente a geração de receita para os artistas.
Inteligência artificial: criatividade em ação
A Billboard aponta que, em 2025, a inteligência artificial movimentou a indústria musical e revela que 97% das pessoas não conseguem diferenciar músicas feitas por IA de composições humanas. Já em matéria para a CNN, a Deezer identificou mais de 13 milhões de faixas geradas por IA em 2025, representando 39% do conteúdo recebido diariamente.
"A IA é uma grande ferramenta, vai facilitar a vida de muita gente, principalmente de quem souber usar", defendeu Henrique. Ele enfatizou a importância de abraçar as inovações tecnológicas, aprender sobre elas e entender como podem ser benéficas para o trabalho artístico.
Sandrão completou: "A IA dá uma velocidade sem precedentes, mas ainda depende da nossa orientação. O artista está no centro ainda — você pode fazer as coisas muito mais rápidas, mas não substitui a personalização e a criatividade".
Segundo pesquisa da CISAC, em matéria para a revista Exame, até 2028 a IA pode arrecadar R$ 120 bilhões da receita global de músicos, quase um quarto da renda mundial.
Carreira solo e homenagens pessoais
Henrique também revelou como começou sua carreira solo. Sua primeira gravação foi "Olha", de Roberto Carlos, uma homenagem à esposa: "Foi minha mulher que um dia me mandou um áudio cantando essa música. Eu falei: Que declaração linda, vou fazer a gravação dessa música para ela. Então, a minha carreira solo começa com a gravação dessa música", compartilhou.
A liberação dos direitos autorais levou quatro anos para ser concedida, demonstrando o cuidado que os artistas têm com suas obras.
Missão de vida e novos projetos
No decorrer da entrevista, Henrique revelou que, após o fim do Skank, assumiu papel ativo na ABRAMOS, entidade ligada ao Ecad, que arrecadou mais de R$ 2 bilhões em direitos autorais no último ano. "Quero ajudar as próximas gerações a viverem de música. É preciso documentar bem as criações e entender as regras do jogo", afirmou.
O conselho para o futuro
Quando perguntado sobre que conselho daria para si mesmo aos 12 anos, Henrique foi direto: "Acredite nos seus sonhos".
A entrevista completa, assim como a música criada por inteligência artificial em homenagem a Henrique Portugal, estão disponíveis no site do Business Rock, que alcança 126 afiliadas em mais de 58 países, mostrando que a música brasileira continua conquistando corações mundo afora.


