
Um cuidado pessoal e de saúde que, desde a juventude, ainda é repleto de tabus e desatenção no Brasil: a visita regular ao ginecologista. Dados de uma pesquisa da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com o Datafolha, indicam que 4 milhões de brasileiras nunca sequer procuraram atendimento com ginecologista-obstetra ao longo da vida.
No entanto, o mesmo levantamento mostra que, dentre as mulheres que buscam essa especialidade médica regularmente, a maioria está satisfeita com o atendimento, acolhimento e atenção recebidos. A informação colhida através da ampla pesquisa reitera que relação de confiança entre médico e paciente interfere diretamente na decisão de marcar uma consulta de rotina ou, principalmente, buscar ajuda em casos adversos.
Dra Joyce Assis, médica ginecologista, pontua que o acompanhamento médico contínuo possibilita a detecção precoce de alterações, a prevenção de doenças, o manejo adequado de condições crônicas e a orientação individualizada em momentos-chave como adolescência, menacme, gestação, climatério e menopausa
"O olhar individualizado e o cuidado contínuo impactam positivamente a qualidade de vida das pacientes ao longo das diferentes fases da vida feminina ao permitir uma abordagem integral, preventiva e personalizada, que respeita as particularidades biológicas, emocionais e sociais de cada mulher", afirma a especialista.
A médica explica que a ginecologia moderna se difere da tradicional, especialmente pelo cuidado integrado e acolhimento individualizado: "A ginecologia mais tradicional aborda a mulher em suas fases pontuais, sem muita orientação e um atendimento longínquo, sem acolhimento".
Segundo a ginecologista, atualmente a especialidade propõe uma abordagem mais próxima e educativa, com o objetivo de reduzir a intimidação das pacientes em relação ao próprio corpo e, principalmente, fortalecer a confiança no profissional escolhido.
"Hoje, a saúde feminina é abordada com muita cautela, com protocolos mais avançados e orientação de uma forma extremamente individualizada, especialmente no climatério — fim do período reprodutivo e a entrada na pós-menopausa —, conscientizando sobre como essa fase pode ser leve e prazerosa quando bem orientada, tratada e acompanhada", relata a profissional.
Impactos da menopausa
Dados publicados pelo Ministério da Saúde apontam que cerca de 30 milhões de mulheres sofrem com a menopausa precoce no Brasil. A Dra Joyce Assis esclarece que os principais impactos na saúde da mulher durante a menopausa incluem aspectos físicos, emocionais e metabólicos que comumente geram outros distúrbios.
"São frequentes os fogachos, sudorese noturna, distúrbios do sono, fadiga, dores articulares, ressecamento vaginal, diminuição da libido, oscilações de humor, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, lapsos de memória e maior vulnerabilidade a quadros depressivos", detalha.
De acordo com a ginecologista, esses sintomas ocasionam alterações urinárias, na saúde cardiovascular, perda de massa óssea e influências sobre os relacionamentos. Segundo ela, as questões podem ser intensificadas por fatores psicossociais, como mudanças no papel familiar, profissional e na autoimagem.
A especialista destaca que no âmbito metabólico, observa-se tendência ao ganho de peso, especialmente com aumento da gordura abdominal, redução da massa muscular, maior resistência à insulina, alterações no perfil lipídico e elevação do risco para diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
É esperado um aumento em torno de 5-8kg no período de climatério e início de menopausa, de acordo com publicação da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
"A ginecologia moderna reconhece que alterações hormonais, hábitos alimentares e nível de atividade física impactam diretamente o ciclo menstrual e a transição para o climatério e a menopausa. Por isso, o acompanhamento ginecológico passa a incluir a avaliação do peso e da composição corporal, além de orientações individualizadas sobre alimentação equilibrada e hábitos saudáveis", enfatiza a Dra. Joyce Assis.
Tecnologias minimamente invasivas no cuidado ginecológico
A médica observa que a ginecologia atual tem incorporado tecnologias que permitem tratamentos eficazes sem cirurgia tradicional, promovendo mais conforto, menor risco e recuperação mais rápida para as pacientes. Entre essas tecnologias, destacam-se o laser fracionado de CO₂ e o ultrassom microfocado e macrofocado.
Segundo a Dra Joyce Assis, o laser fracionado de CO₂ é uma das tecnologias mais destacadas no cuidado ginecológico minimamente invasivo, especialmente para a saúde íntima da mulher. Ele funciona por meio de pulsos de energia térmica fracionada que atingem as camadas profundas da mucosa vaginal, sem cortes ou incisões, estimulando processos naturais de regeneração tecidual.
Já o ultrassom microfocado e macrofocado (HIFU) é tem sido aplicado especialmente na região íntima feminina, utilizando ondas de ultrassom de alta intensidade para estimular colágeno, promover retração tecidual e melhorar a firmeza da musculatura vaginal e perineal.
"Essas tecnologias permitem menor trauma tecidual, menos dor e desconforto, recuperação mais rápida, tratamentos personalizados e resultados funcionais como melhora na função do órgão, como lubrificação, tônus e continência", revela a ginecologista.
Para a médica, os avanços nas cirurgias ginecológicas ambulatoriais, especialmente com o uso do laser fracionado de CO₂, têm transformado de forma significativa o cuidado íntimo feminino, contribuindo diretamente para a independência, o conforto e a autoestima da mulher nos últimos anos.
"A ginecologia moderna integra prevenção, diagnóstico precoce e educação em saúde, promovendo escolhas conscientes e sustentáveis ao longo das diferentes fases da vida feminina", conclui.


