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Prova Paraná amplia avaliações diferenciadas e reforça inclusão na rede pública
Alunos cegos fazem a prova em Braille e os de baixa visão recebem versões ampliadas. Estudantes com Síndrome de Irlen contam com adaptações de cor...
05/05/2026 10h43
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

Mais de 113 mil estudantes da Educação Especial da rede estadual de ensino fazem a Prova Paraná com adaptações específicas, nos dias 19 e 20 de maio, em uma avaliação que mobiliza cerca de 1,1 milhão de alunos em todo o Estado. A avaliação mantém o mesmo conteúdo para todos, mas adapta a forma de aplicação conforme o perfil do estudante, com mudanças no formato, tempo adicional, apoio profissional e uso de recursos específicos.

Conforme dados da Secretaria Estadual da Educação (Seed-PR), nesta edição, 1.773 estudantes dos ensinos fundamental e médio realizam a avaliação com recursos especializados: 57 alunos cegos fazem a prova em Braille; 1.692 com baixa visão recebem versões ampliadas ou superampliadas, com ajustes de contraste e organização visual; e 24 estudantes com Síndrome de Irlen contam com adaptações de cor e luminosidade, incluindo o uso de lâminas coloridas. Estudantes surdos têm acesso a vídeos com tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Outros 28 mil estudantes realizam a avaliação com tempo adicional, apoio profissional, aplicação em ambiente específico, transcrição de respostas e leitura assistida. As adaptações atendem diferentes perfis de aprendizagem, incluindo estudantes com deficiências, transtornos do neurodesenvolvimento, transtornos funcionais específicos e altas habilidades ou superdotação.

De acorfo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, as adaptações permitem um acompanhamento mais preciso da aprendizagem. “Garantimos que alunos com deficiência e outras necessidades específicas participem com equidade e tenham seu aprendizado efetivamente acompanhado”, afirma.

PERFIL DA EDUCAÇÃO ESPECIAL- A rede estadual soma atualmente 113.861 estudantes da educação especial, 12,5% do total. A maior parte das matrículas está concentrada em transtornos funcionais específicos (71.287), como dislexia e TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade), além de estudantes com transtorno do espectro autista - TEA (17.441) e deficiência intelectual (17.351).

Outros grupos incluem deficiências visuais – com 2.433 estudantes com baixa visão e 172 com cegueira; deficiências físicas (1.872) e deficiências auditivas (1.109), além de surdez (668). Há ainda registros de deficiência múltipla (779), atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (718), surdocegueira (31) e visão monocular (11).

O crescimento da educação especial acompanha a ampliação das adaptações. O número de estudantes atendidos passou de 71,5 mil em 2021 para mais de 113 mil em 2026, aumento de quase 63%.

De acordo com a coordenadora pedagógica de Educação Especial da Seed-PR, Cláudia Saldanha, os critérios técnicos consideram acessibilidade e equidade. “A prova é padronizada quanto ao conteúdo e aos objetivos. O diferencial está na oferta de recursos e apoios necessários para assegurar condições adequadas de participação dos estudantes da Educação Especial”, explica.

BASTIDORES DAS ADAPTAÇÕES - As versões acessíveis da Prova Paraná levam de 40 a 60 dias para serem produzidas e envolvem equipes técnicas da Seed-PR, além dos Centros de Apoio Pedagógico (CAP) e Centros de Apoio ao Surdo (CAS) em todo o Estado.

A partir da prova original, cada questão é adaptada conforme o público: há transcrição em Braille, arquivos digitais para leitores de tela, versões ampliadas e superampliadas e tradução para Libras em vídeo. Todo o material passa por revisão técnica e validação pedagógica antes da aplicação.

Para estudantes com TEA e deficiência intelectual, a adaptação vai além do formato. Inclui preparação prévia, explicação da rotina, tempo ampliado, mediação de professor especializado, apoio com leitor ou transcritor e aplicação em ambientes mais controlados, garantindo participação com acessibilidade.

PROVA PARANÁ- Criada em 2019, a Prova Paraná passou de avaliações focadas em Língua Portuguesa e Matemática para um modelo mais amplo, integrado ao Sistema de Avaliação da Educação Básica do Paraná (Saep). Atualmente, inclui conteúdos da formação geral básica e dos itinerários formativos do Novo Ensino Médio.

Aplicada às redes estadual e dos municípios que aderem ao sistema, a avaliação orienta o acompanhamento contínuo da aprendizagem e subsidia decisões pedagógicas ao longo do ano letivo. Desde as primeiras edições, estudantes da Educação Especial participam da avaliação, com ampliação progressiva dos recursos de acessibilidade.