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Sanepar resgata mais de 70 colmeias de abelhas nativas no Reservatório Miringuava
Trabalho de resgate é feito por equipes especializadas e garante a saúde do ecossistema local. Espécies encontradas incluem abelhas nativas sem fe...
08/04/2026 10h33
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

Desde janeiro de 2025, quando iniciou o trabalho de resgate de flora e fauna na região do Reservatório Miringuava, a Sanepar já registrou 123 resgates de ninhos de vespas e colmeias de abelhas. Desse total, mais de 70 colmeias são de 15 espécies de abelhas nativas sem ferrão.

O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destaca que a construção de um reservatório é complexa e existe um planejamento voltado para o cuidado com a fauna e a flora locais. “Cada etapa foi executada de maneira a minimizar os impactos ambientais. Garantimos a segurança hídrica da população de Curitiba e Região Metropolitana com aumento de 25% de reservação de água do sistema integrado com o Reservatório Miringuava e mantemos nosso compromisso com a sustentabilidade durante todas as etapas de construção, enchimento e operação da barragem”, diz.

A bióloga e gestora ambiental da companhia, Ana Cristina do Rego Barros, explica que as equipes especializadas em resgate e afugentamento de fauna fazem um acompanhamento simultâneo aos trabalhos de supressão vegetal e limpeza da área. “Além das abelhas, mais de 10 mil animais silvestres já foram resgatados ou afugentados. O trabalho será mantido até a finalização do enchimento da barragem”, afirma.

ESPÉCIES– De acordo com Hélio Massao Isobe, biólogo da empresa Jardiplan, contratada da Sanepar no processo de resgate da fauna, as abelhas resgatadas são, na maioria, do grupo Meliponini – nativas sem ferrão. Também têm sido resgatadas abelhas exóticas, do gênero Apis, além de mamangavas e vespas.

“Uma das espécies que tivemos maior número é uma espécie bastante interessante e peculiar, que é a Mirim-Guaçu (Plebeia remota). É uma abelha que poliniza, e as colmeias que encontramos apresentam uma reserva de alimento muito grande, o que para os criadores é algo diferente”, explica.

Ele destaca que é fundamental resgatar as abelhas, especialmente na fase atual de enchimento da barragem, porque elas não abandonam o local de origem. “As abelhas vivem em colmeia, têm um grupo de castas sociais onde elas se organizam, cada uma na sua função. Mesmo que a água suba, elas não vão sair. Então, a gente precisa ir lá retirar o ninho, passar para uma caixa ou retirar em cepo (secção de tronco) e fazer a remoção do local”, afirma.

O método do resgate varia de acordo com a situação. Se a colmeia ficou exposta no momento do corte, é feita a transferência do ninho para uma caixa, que é fechada e remanejada para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), localizado próximo ao reservatório. Quando a colmeia fica no interior do tronco, toda a estrutura é encaminhada para o centro de triagem. “Nós monitoramos o desenvolvimento delas, se conseguiram se reestruturar, controlar o ataque de forídeos (pequenas moscas) e se conseguiram iniciar o depósito de mel e pólen”, explica Isobe.

A maioria das colmeias será destinada para áreas de preservação permanente da represa. O restante será enviado a meliponicultores da Bacia do Miringuava para enriquecimento genético dos plantéis, para a Universidade Federal do Paraná (UFPR), para a Embrapa e também para a prefeitura de São José dos Pinhais, que desenvolve um projeto educativo e um meliponário de referência.

ÁGUA PROTEGIDA– Consideradas vitais para o equilíbrio dos ecossistemas, as abelhas participam significativamente na proteção de rios, nascentes e mananciais, promovendo a regeneração natural de florestas e matas ciliares por meio da polinização. “As abelhas cumprem um serviço ecossistêmico imensurável, não tem como calcular. É muito importante que a gente desempenhe esse papel, porque é um patrimônio genético que está aqui, traz uma série de informações importantes e servirá para inúmeras pesquisas e estudos”, acrescenta Hélio.

JARDINS DE ÁGUA E MEL– Outra iniciativa da Sanepar relativa à proteção de abelhas nativas e que reforça o compromisso com a sustentabilidade ambiental é o Jardim de Água e Mel. O projeto visa a construção de jardins, preferencialmente em ambientes escolares, que abrigam colônias de abelhas nativas sem ferrão, como as espécies mandaçaia e jataí. Nesses espaços, também é estimulado o cultivo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs), flores melíferas, e é incentivada a prática de compostagem.

O Jardim de Água e Mel é uma ferramenta de conservação da biodiversidade que contribui para o aumento gradual da população dessas abelhas. Além disso, fortalece a educação ambiental, proporcionando aprendizado por meio do contato direto com a natureza. Desde a implantação do primeiro jardim, em 2021, a Sanepar já entregou 79 jardins compactos, três completos e 37 minimalistas, totalizando 614 colônias de abelhas sem ferrão. Ao todo, a iniciativa já impactou 89.861 pessoas em 32 municípios.