Quem passou pela Rua Engenheiro Schamber, 654, neste sábado (21), viu sorrisos à solta pelo Museu Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta G...
23/03/2026 15h07
Por: RedaçãoFonte: UEPG
Quem passou pela Rua Engenheiro Schamber, 654, neste sábado (21), viu sorrisos à solta pelo Museu Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (MCG-UEPG). Mais de 600 pessoas se reuniram ao longo do dia para a primeira edição do Museu no Pátio. O evento celebrou a cultura afro-brasileira, com oficinas, exposição de obras de arte, contação de histórias, feira de livros, discos e roupas, exibição de filme e apresentações musicais. Promovido em parceria com a Divisão de Assuntos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais (DAC-Proex), o evento também marcou o retorno do CineArte, depois de 15 anos.
Foto: Reprodução/UEPG O samba foi o que ditou o ritmo de sábado – teve oficina de pandeiro e dança, com apresentação da sambista Janine Mathias, em uma roda de samba, para fechar o evento. Dentre as oficinas, estava a professora de língua portuguesa e passista Narah Madureira, que promoveu uma interação com entusiastas do samba, em uma roda de dança e descontração. “Quando eu recebi o convite para fazer a oficina, eles me deixaram livre e falaram: ‘traga alguma coisa do samba’. Aí eu pensei: ‘O que que eu vou fazer?’, porque eu sou professora de educação especial, e a minha vivência com o samba é da vida inteira”. Foi aí que ela pensou na contribuição que ela e a família deu para a cidade, com as escolas de samba e a música.
“Não tem como falar do samba sem falar da nossa ancestralidade, né? Porque o samba é construído através da nossa história. Da história de cada um. Os passos vêm de cada história. Eu não queria passar algo pensando em coreografia, passos marcados. Queria que eles pensassem na ancestralidade desde a África”, complementa Narah. E foi assim que as pessoas formaram uma roda de dança, ao som de Dona Ivone Lara, Molejo e Beth Carvalho. Quem ia ao centro, puxava a próxima pessoa para dançar também. Para Narah, ter um evento que celebra a ancestralidade negra em Ponta Grossa foi um presente. “Significa um fortalecimento das lutas, porque não tem como desassociar o samba, seja ele dançado, cantado, tocado, da cultura negra”, destaca. “Trazer esse povo da periferia, lembrar da história, da formação, como foi conduzido isso e fazer uma celebração dessa, eu acho que só fortalece mesmo. Não só a cultura do samba, mas as nossas vivências também”.
Foto: Reprodução/UEPG Foi a primeira vez que o MCG abriu as portas do pátio (e a rua) para o público num sábado. Para o diretor do MCG, professor Niltonci Batista Chaves, o evento superou as expectativas. “Isso fortalece o Museu, porque o público que a gente teve aqui foi muito diferente do cotidiano do Museu. E essa é a função, abrir o espaço para as pessoas que nem sempre vêm ao MCG participarem das atividades e também conhecerem o Museu. Isso é muito importante para a gente”. O professor celebrou ainda o retorno do CineArte, com a exibição do filme Cartola – Música para os Olhos. “O CineArte estava parado desde 2011, voltamos com a casa cheia e com o debate que foi muito legal depois”. O grupo manteve todas as características originais do projeto, com exibição e debate. “A partir de agora, a gente vai rediscutir a pertinência dele voltar, talvez, para além do Museu do Pátio”, acrescenta.
Outro entusista da arte é o professor Nelson Silva Júnior, diretor da Divisão de Assuntos Culturais da Proex. Ele participava das antigas edicões do CineArte. Para ele, este retorno significou a celebração do cinema brasileiro. “O cinema é meu objeto de pesquisa há muito tempo, e o CineArte foi um dos maiores e melhores projetos que nós tivemos em Ponta Grossa. Então, é um momento muito especial e que a gente vive com muita emoção, porque ele marcou uma geração”. Para o professor, o Museu no Pátio cumpre um papel já estabelecido pela Proex de popularização da cultura. “Vai ao encontro da proposta da DAC de trazer mais pessoas, mais a comunidade externa para dentro dos espaços da Universidade, e isso para nós é muito importante”, completa.
Foto: Reprodução/UEPG Para o Museu no Pátio acontecer, o MCG contou com a atuação de professores, alunos e profissionais bolsistas. Foram semanas de preparação e planejamento da programação. A expectativa é realizar mais três edições neste ano, aos sábados, sempre nas trocas de estações, celebrando um ritmo musical. “Acho que o ponto mais notável no desenvolvimento desse projeto é a interação com o público. Tivemos um público variado, desde bebês até pessoas idosas, então o saldo que fica é essa interação da Universidade com a comunidade”, salienta Merylin Ricieli, membro da organização do evento. A equipe já planeja as atividades da próxima edição, que vai acontecer no dia 20 de junho e que trará o jazz como ritmo muscial. “Esperamos ter cada vez mais o Museu como interlocutor desse diálogo com a comunidade, que ele consiga promover grandes parcerias, grandes formações, e que as pessoas se sintam pertencentes dessa memória”, finaliza.