Educação Criança Alfabetizada
Critérios do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização é divulgado pela Secretaria de Educação de Wenceslau Braz e destaca salto de aprendizagem em 2025
Entenda quais metas e evidências o município precisa reunir para alcançar a classificação máxima e por que o avanço pedagógico depende de continuidade, monitoramento e ações estruturadas na rede
20/02/2026 01h55
Por: Redação Fonte: Secretaria Municipal de Educação

A busca pelo Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), envolve mais do que bons resultados pontuais: ela exige critérios técnicos, evidências documentais, cumprimento de metas pactuadas e, sobretudo, continuidade de política pública. Em Wenceslau Braz, a Secretaria Municipal de Educação vem ampliando a transparência sobre como esse reconhecimento funciona, para que a comunidade escolar compreenda — com clareza e sem simplificações — o caminho necessário até a classificação máxima.

Em entrevista à reportagem, a secretária municipal de Educação, Ana Lúcia Prudêncio Damasceno, detalhou como opera a lógica do CNCA e o que é exigido da gestão e das escolas ao longo do ciclo de avaliação. Ao lado dela, o assessor pedagógico da rede municipal, Gabriel Carvalho, apresentou o campo pedagógico do primeiro ano da gestão 2025–2028, destacando que os resultados de 2025 mostram um salto consistente de aprendizagem, sustentado por diagnóstico, monitoramento e intervenções estruturadas.

“A alfabetização é uma política pública que exige planejamento, acompanhamento sistemático e decisões fundamentadas em evidências. É assim que se constrói resultado consistente e duradouro.”
Ana Lúcia Prudêncio Damasceno, secretária municipal de Educação

O que é o CNCA e o que o Selo Ouro mede, na prática

O CNCA é uma estratégia nacional voltada a assegurar a alfabetização na idade adequada. Dentro desse escopo, o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização é um reconhecimento institucional concedido às Secretarias de Educação que demonstram compromisso e capacidade de execução — com ações efetivas, evidências e resultados.

Ao estudar o Guia do Participante da 2ª edição do selo, a reportagem identificou um ponto decisivo: os critérios de avaliação são objetivos e se organizam em dois tipos de comprovação:

Critérios automáticos, verificados em bases oficiais (como INEP, FNDE e sistemas do MEC), e critérios declaratórios, em que o município precisa anexar documentos no SIMEC (em PDF, com exigências formais), comprovando a execução das ações.

“Quando a rede entende o critério, ela transforma avaliação em ação: identifica dificuldades, intervém cedo e acompanha o progresso com método.”
Gabriel Carvalho, assessor pedagógico da rede municipal

Critérios e evidências: os quatro pilares avaliados pelo selo

O guia deixa claro que a avaliação do selo é estruturada em quatro eixos, que vão além do resultado final e envolvem a capacidade de gestão da política de alfabetização:

Colaboração entre os entes federativos (União, Estados, Municípios e DF); institucionalização e implementação da política de alfabetização; formação de docentes e gestores, distribuição de materiais e recomposição das aprendizagens; e resultados de alfabetização, relacionados ao cumprimento das metas do Indicador Criança Alfabetizada.

“O selo é consequência de um conjunto de requisitos cumpridos ao longo do ciclo. Por isso, é essencial entender o critério e o período considerado na avaliação.”
Ana Lúcia Prudêncio Damasceno

Pontuação do selo: o que significa Ouro, Prata e Bronze

Outro ponto que o manual apresenta de forma objetiva é que o selo possui pontuação máxima de 150 pontos e três categorias, com faixas bem definidas:

Ouro: de 110 a 150 pontos, desde que o município atinja a meta pactuada do Indicador Criança Alfabetizada; Prata: de 90 a 109 pontos; e Bronze: de 60 a 89 pontos.

“O Ouro não é só ‘estar bem na pontuação’. Ele também exige atingir a meta pactuada do Indicador Criança Alfabetizada. Isso reforça a necessidade de planejamento e continuidade.”
Gabriel Carvalho, assessor pedagógico da rede municipal

Evidência aprovada ou item zerado: por que a organização documental é decisiva

O guia é direto ao tratar da validação das evidências: o avaliador verifica a compatibilidade do documento com a pontuação solicitada e, quando há ausência de evidências (ou evidência frágil, genérica, desorganizada), o critério pode não ser aprovado — e a pontuação não é atribuída.

Na prática, isso significa que o selo não depende apenas de “ter feito”, mas de comprovar bem, no campo correto do SIMEC, com documentação clara, atualizada e pertinente.

“O processo exige organização. Não basta executar uma ação; é preciso registrar e comprovar com evidências consistentes, do jeito que o guia orienta.”
Ana Lúcia Prudêncio Damasceno

2025: os indicadores que mostram salto consistente de aprendizagem no primeiro ano da gestão 2025–2028

No campo pedagógico, os dados de 2025 já mostram avanço significativo. Um dos indicadores acompanhados pela Secretaria é o Índice de Fluência Leitora (IFL), desenvolvido para quantificar, em escala de 0 a 10, o nível de fluência leitora de estudantes do 2º ano do ensino fundamental. O relatório técnico explica que o IFL é calculado a partir dos percentuais de alunos em diferentes perfis de leitura, com pesos maiores para os perfis de maior fluência, garantindo uma visão padronizada e comparável.

No município, a avaliação registrou 253 estudantes previstos e 248 avaliados. O próprio relatório aponta que taxas de participação a partir de 80% favorecem a generalização do desempenho, e Wenceslau Braz atingiu um patamar considerado robusto para leitura do cenário.

“No indicador de Fluência Leitora, o município iniciou o ano de 2025 com um Índice de Fluência Leitora (IFL) de 4,7 e o encerrou com 7,1, representando o maior índice já registrado pelo município em comparação aos anos anteriores.”
Ana Lúcia Prudêncio Damasceno
“O salto não acontece por acaso. Ele vem de rotina de diagnóstico, devolutiva, reforço e acompanhamento do aluno. É um trabalho de rede.”
Gabriel Carvalho, assessor pedagógico da rede municipal

Ações pedagógicas estruturadas em 2025: monitoramento, leitura e recomposição

A equipe técnica atribui parte do avanço a um conjunto de iniciativas que organizaram o trabalho pedagógico ao longo de 2025.

Entre elas, a Secretaria destaca a plataforma Aprova Wenceslau, que gera relatórios e gráficos com base em avaliações diagnósticas, permitindo acompanhar o desempenho de forma prática e objetiva, com leitura rápida para orientar decisões pedagógicas.

Outro eixo citado é o Projeto Leitura Digital, desenvolvido com estudantes e famílias do 2º ano, voltado ao aprimoramento da fluência leitora, com incentivo e reconhecimento ao final do ano letivo.

Além disso, a rede implementou/fortaleceu ações de recomposição de aprendizagem, com reforço escolar direcionado e mais individualizado, a partir das dificuldades identificadas nas avaliações por turma.

“Não trabalhamos no escuro. A partir dos dados, a gente identifica onde o aluno está, onde precisa chegar e quais estratégias precisam ser acionadas. Isso torna o trabalho mais eficiente e mais justo.”
Gabriel Carvalho, assessor pedagógico da rede municipal

Etapas e validade: como o processo é conduzido e por que ele exige planejamento de ciclo

O guia também descreve as etapas formais do selo: publicação do edital, período de inscrição, avaliação, divulgação de resultados preliminares, pedidos de reconsideração, resultados finais e cerimônia de entrega. O manual ressalta ainda que o selo tem validade de um ano, contada a partir da data oficial de entrega, e que as informações prestadas pelas Secretarias precisam ser verdadeiras, consistentes e comprováveis.

Para a Secretaria de Educação, a leitura desse processo mostra um ponto essencial: o selo não é “um anúncio”, mas uma construção anual, que depende de planejamento, execução e registro.

“O nosso compromisso é com a melhoria contínua: cumprir os critérios, fortalecer a política de alfabetização e sustentar resultados reais, com evidência de aprendizagem.”
Ana Lúcia Prudêncio Damasceno

Alfabetização como política pública: continuidade, transparência e evidências

Ao final, a Secretaria reforça que alfabetização exige continuidade e decisões baseadas em evidências. A gestão afirma que o objetivo é manter a rede em trajetória de crescimento, consolidando ações e resultados que permitam cumprir integralmente os requisitos do CNCA e avançar rumo à classificação máxima.

“Quando a discussão é técnica e baseada em dados, a comunidade escolar entende o caminho e a rede consegue evoluir com mais rapidez.”
Gabriel Carvalho, assessor pedagógico da rede municipal