Educação Criança Alfabetizada
Secretaria de Educação de Wenceslau Braz esclarece regras do CNCA e destaca avanço histórico na alfabetização em 2025
Secretaria Municipal de Educação explica por que o “Selo Ouro” de 2025 está ligado ao ano-base 2024 e apresenta indicadores que apontam salto consistente de aprendizagem na rede municipal
14/02/2026 00h52 Atualizada há 20 horas
Por: Redação Fonte: Secretaria Municipal de Educação

A alfabetização na idade certa deixou de ser apenas uma meta pedagógica e passou a ocupar, com razão, o centro do debate público. Em Wenceslau Braz, esse tema ganhou novos contornos após a circulação de conteúdos nas redes sociais sobre o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) e os critérios de concessão do Selo Ouro em Alfabetização. Diante de interpretações fora do contexto técnico, a Secretaria Municipal de Educação decidiu vir a público para reafirmar os fatos, explicando como funciona o ciclo de avaliação do selo e apresentando números que mostram uma evolução expressiva na aprendizagem em 2025.

Em entrevista à reportagem, a secretária municipal de Educação, Ana Lúcia Prudêncio Damasceno, explicou que o ponto central da discussão está em entender o que, de fato, o selo mede em cada edição e a qual período os critérios se aplicam.

“É importante prestar esclarecimentos a respeito das informações divulgadas sobre o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) e os critérios para a concessão do Selo Ouro em Alfabetização.” — Ana Lúcia Prudêncio Damasceno, secretária municipal de Educação

O que é o CNCA e como funciona o Selo Ouro

O CNCA é uma política nacional que busca assegurar que as crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, articulando avaliação, metas e ações de apoio às redes de ensino. Dentro desse compromisso, o Selo Nacional (com classificações como ouro, prata etc.) funciona como um reconhecimento técnico baseado em critérios definidos pelo Ministério da Educação.

Segundo a secretária, houve uma mudança relevante na lógica de concessão do selo entre um ciclo e outro, o que pode ter contribuído para leituras superficiais nas redes.

“O Selo Ouro não concedido ao município em 2025 refere-se, exclusivamente, ao desempenho alcançado no ano-base de 2024, conforme critérios técnicos previamente definidos pelo Ministério da Educação.” — Ana Lúcia Prudêncio Damasceno

O contraponto técnico às publicações: “2025 avalia o ano-base 2024”

A publicação compartilhada por integrante da gestão anterior afirma que a queda de “ouro para prata” deve ser interpretada como sinal de perda de qualidade da política educacional, defendendo “transparência e resultados reais” e destacando que “cada criança de Wenceslau Braz merece ser alfabetizada com excelência”.

A Secretaria concorda com o princípio — resultado real e excelência —, mas aponta que a conclusão feita na postagem desconsidera um ponto técnico essencial: o selo de 2025 não avalia 2025, e sim o ano-base de 2024.

Em nota, a secretária detalha que, em 2024, bastava a aplicação de avaliações externas; já em 2025, passou a ser necessário cumprir metas oficiais de alfabetização para o respectivo ano, com base em indicadores de aprendizagem.

“Para a obtenção dessa classificação em 2025, não era suficiente apenas a aplicação das avaliações externas, como foi em 2024. A partir de 2025, foi necessário que o município alcançasse efetivamente as metas de alfabetização estipuladas para o respectivo ano, com base em indicadores oficiais de aprendizagem.” — Ana Lúcia Prudêncio Damasceno

O ano-base 2024 e a meta pactuada: por que isso pesa no selo

No esclarecimento enviado à redação, Ana Lúcia afirma que o município não atingiu, no ano de 2024, a meta pactuada de alfabetização (citada como 80%). Esse ponto, segundo ela, é determinante para entender por que o município não manteve a pontuação necessária no ciclo avaliativo seguinte.

“Ressalta-se que, no ano de 2024 — período em que a gestão mencionada estava à frente da administração municipal —, as metas pactuadas de alfabetização não foram alcançadas (80%), motivo pelo qual o município não obteve a pontuação necessária para a manutenção do Selo Ouro no ciclo avaliativo subsequente (2025).” — Ana Lúcia Prudêncio Damasceno

2025: os números que mostram “o maior índice já registrado” na fluência leitora

Além do esclarecimento sobre o selo, a Secretaria trouxe para a reportagem um indicador objetivo para dimensionar o avanço do trabalho pedagógico em 2025: o Índice de Fluência Leitora (IFL), calculado em escala de 0 a 10 a partir do perfil leitor dos estudantes (de pré-leitor a fluente), com pesos maiores para os níveis mais avançados.

De acordo com a documentação técnica da rede municipal (Relatório “Resultado da avaliação de fluência leitora – avaliação de saída – 2º ano – 2025 – Wenceslau Braz”), o município avaliou 248 estudantes, de um total de 253 previstos, o que indica alta participação e permite leitura mais confiável do cenário geral.

No texto encaminhado pela secretária, ela destaca a evolução do IFL ao longo de 2025:

“No indicador de Fluência Leitora, o município iniciou o ano de 2025 com um Índice de Fluência Leitora (IFL) de 4,7 e o encerrou com 7,1, representando o maior índice já registrado pelo município em comparação aos anos anteriores. Tal resultado demonstra evolução consistente e impacto positivo das ações pedagógicas implementadas.” — Ana Lúcia Prudêncio Damasceno

O relatório anexado pela rede municipal reforça a lógica do indicador: quanto maior a proporção de estudantes nos níveis mais altos de leitura (iniciante e fluente), maior o IFL. A Secretaria avalia que o salto aponta evolução consistente e evidencia que as ações pedagógicas implementadas em 2025 tiveram impacto mensurável.

Alfabetização como política pública: continuidade, evidência e acompanhamento

A secretária encerra o posicionamento com uma defesa de que alfabetização não é um resultado instantâneo, mas uma política pública que exige método, gestão e acompanhamento permanente, além de decisões orientadas por evidências.

“A alfabetização constitui uma política pública que demanda continuidade, planejamento, acompanhamento sistemático e decisões fundamentadas em evidências concretas de aprendizagem. O debate sobre o tema é legítimo e necessário, desde que pautado na veracidade dos fatos, na transparência dos critérios técnicos e no compromisso com a melhoria contínua da educação pública.” — Ana Lúcia Prudêncio Damasceno

Na prática, a Secretaria afirma que o foco do município é garantir que a discussão sobre selos e metas seja convertida em melhoria cotidiana na sala de aula — com avaliação, intervenção pedagógica e transparência de critérios — evitando leituras que produzam ruído e desviem o debate do que interessa: a aprendizagem das crianças.