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Evento debate mobilidade acadêmica internacional e acesso ao programa Erasmus na UEPG
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) realizou, nesta segunda e terça-feira (19), o evento Exchange for All: Democratizando o acesso à mob...
23/01/2026 12h47
Por: Redação Fonte: UEPG

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) realizou, nesta segunda e terça-feira (19), o evento Exchange for All: Democratizando o acesso à mobilidade acadêmica, na Sala dos Conselhos Helena Kolody, no Campus Uvaranas. O evento foi promovido em colaboração entre o Escritório de Relações Internacionais (ERI) da UEPG e a Oceans Network, rede internacional de ex-alunos do Erasmus, um programa de bolsas de mobilidade acadêmica entre países da União Europeia. A iniciativa, destinada a estudantes de graduação e pós-graduação, docentes e servidores interessados em processos de internacionalização e cooperação acadêmica, teve como objetivo ampliar o acesso da comunidade acadêmica a informações sobre intercâmbio internacional e divulgar oportunidades de bolsas do Erasmus.

Foto: Reprodução/UEPG

A programação reuniu palestrantes do Brasil, Argélia, Costa Rica, Colômbia, Marrocos, Nicarágua e Peru, que participaram de forma presencial e remota. A palestra de abertura foi ministrada pela Representante Nacional do Erasmus no Brasil, Amanda Harumy, e pelo Chefe de Projetos da Oceans Network, Mohammed Yassine, que abordaram as oportunidades do Erasmus+ e seu impacto no ensino superior brasileiro. Durante o evento, foram realizados diversos painéis, incluindo relatos de ex-alunos do Erasmus sobre suas trajetórias e experiências pessoais e acadêmicas; discussão sobre parcerias estratégicas e internacionalização da pesquisa; e orientação prática para participar de projetos e preparar candidaturas competitivas.

O evento foi organizado pelo doutorando em Odontologia pela UEPG, Pedro Henrique Moreira, com suporte do ERI. Selecionado em 2023 para a Universidad de Salamanca, na Espanha, Pedro relata o impacto pessoal da experiência. “Vim de uma família bem humilde, sem uma bolsa de estudos eu nunca sonharia em ir à Europa, então eu tentei por alguns anos conseguir qualquer bolsa possível, até que a oportunidade veio, e isso foi pra mim um marco, pois mudou os rumos da minha vida”, afirma. Desde então, passou a integrar a rede de alunos Oceans Network e conta que a proposta do evento surgiu a partir de sua participação em um encontro realizado em Bruxelas em fevereiro de 2025. “Eu era o único brasileiro, não falava bem inglês, mas as pessoas que eu conheci me inspiraram com histórias impactantes e eu também tive a oportunidade de partilhar a minha história lá, isso me marcou muito”, recorda.

De volta ao Brasil, Pedro passou a se dedicar ao aprimoramento do idioma e à elaboração de um projeto voltado à divulgação de oportunidades de intercâmbio fora dos grandes centros urbanos. Segundo ele, a UEPG se mostrou o espaço ideal para a iniciativa, por reunir qualidade acadêmica e oferta de cursos de idiomas para a comunidade universitária. “Não estamos localizados em um grande centro urbano, o que nos deixa um pouco afastados dessas oportunidades. Eu senti isso na pele porque venho uma cidade bem pequena, então a ideia surgiu pra realmente poder fazer com que mais pessoas possam ter a oportunidade que eu tive e que mudou minha vida”, destaca.

Foto: Reprodução/UEPG

Na avaliação do organizador, o evento representa um passo inicial para ampliar a inserção internacional da Universidade. “Eu avalio como o pontapé inicial para a UEPG entrar com força a uma rede de parcerias internacionais e para fazer com que nossos alunos tanto de graduação, pós-graduação ou professores tenham a oportunidade de viajar à Europa, conhecer novas culturas, aprender mais sobre seus próprios cursos de um ponto de vista diferente e poder voltar ao Brasil e também serem porta-vozes dessa ideia, de que com a oportunidade certa, todos podem ter a chance, independente da região que vem”, comenta. Ele também ressalta o papel do ERI no processo. “Eu gostaria de agradecer totalmente o escritório de relações internacionais da UEPG que apoiou nossa ideia do começo ao fim, sem eles nada disso teria sido possível”, completa.

A coordenadora de Convênios do ERI, Mariza Tulio, considera que as discussões promovidas pelo evento destacam a urgência de uma formação global e reafirmam o compromisso da UEPG com a internacionalização e a excelência acadêmica. Ela destaca que a parceria entre a UEPG e o programa Erasmus+ (com o apoio da Oceans Network), por meio do suporte financeiro e bolsas que viabilizam a mobilidade acadêmica, possibilitará frutos que vão muito além de uma simples viagem e “abrirá portas reais para que alunos e docentes transformem suas carreiras no exterior. Esse vínculo fortalece a pesquisa científica por meio de publicações conjuntas e transferência de tecnologia, além de elevar a empregabilidade dos alunos através do desenvolvimento de competências interculturais e fluência em idiomas. O foco principal é a democratização do acesso, garantindo que a mobilidade internacional não seja um privilégio de poucos”, afirma.

Foto: Reprodução/UEPG

A internacionalista Amanda Harumy, ponto focal do programa Erasmus no Brasil, nomeada pelo Ministério da Educação, explicou o papel do Erasmus no contexto da cooperação internacional. “O Erasmus não é só um programa de internacionalização, e a gente não pode enxergar a internacionalização como algo individual. Uma das etapas mais bem-sucedidas e mais importantes de todo o projeto da União Europeia é o Erasmus, porque ele conecta pessoas, ele conecta a cultura, a ciência, a educação e a universidade. Isso é importante porque quando a gente tem os países conectados, a gente tem uma política mais pacífica”, afirmou. A assessora também contextualizou o momento geopolítico recente, destacando o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia após 25 anos de negociação, e ressaltou a importância da educação e da cooperação científica nesse cenário.

Segundo Amanda, os projetos vinculados ao Erasmus não são individuais e também não partem do nada, sendo construídos a partir de agendas comuns entre instituições. “Você identificar alguma agenda comum de cooperação com uma universidade europeia vai ser muito importante na construção dos projetos. Também existe o caminho contrário, com universidades europeias buscando parceiros”, explicou. A internacionalista destaca a liderança de alunos que já tiveram experiências com intercâmbios e agora atuam para divulgar essa proposta. “Hoje esse evento, querendo ou não, já é um tipo de cooperação. Então nossa primeira conquista com a UEPG é estar aqui para divulgar as informações do Erasmus”, destaca.

Foto: Reprodução/UEPG

Durante o evento, o vice-reitor da UEPG, Ivo Mottin Demiate, lembrou de sua primeira atividade acadêmica fora do país, ainda durante a iniciação científica, quando teve a oportunidade de participar de um evento realizado na Colômbia. “Foi muito marcante para mim, porque eu nunca tinha voado de avião, nunca tinha saído do país, nem da minha cidade, e já fui logo para lá”, relata. O professor também destaca as oportunidades que teve de realizar estágio de doutorado na França e o pós-doutorado nos Estados Unidos, e incentivou a participação da comunidade acadêmica em iniciativas voltadas à mobilidade e à cooperação internacional, ressaltando a importância do contato com outras realidades. “São experiências fantásticas. Para descobrir que o ser humano é o mesmo em todos os lugares a gente tem desafios diferentes, mas a nossa entendimento do mundo, a nossa visão de empatia e de e de afastar qualquer tipo de preconceito, qualquer tipo de diferença, fundamentalmente tem essa oportunidade”, aponta.

Demiate comentou sobre a percepção de autossuficiência no Brasil e as dificuldades enfrentadas nos processos de internacionalização, incluindo barreiras linguísticas, até mesmo em relação a países vizinhos da América Latina que falam espanhol. “O Brasil é um país grande, com uma população grande, e a gente acaba se achando um pouco autossuficiente. É importante não ficar fechado nessa visão”, afirmou. O vice-reitor citou ações institucionais em andamento na Universidade. “Neste mês de janeiro, o nosso reitor Miguel Sanches Neto está indo juntamente com nosso coordenador de pesquisa para Bragança novamente, para estabelecer e afirmar dupla diplomação em dois programas de pós-graduação de interesse comum com o instituto. Outros cursos também já fizeram parcerias. Então, isso é muito relevante”, destaca.

Texto: João Pizani | Fotos: Fabio Ansolin e arquivo pessoal do entrevistado

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