Mesmo durante as férias escolares, o aprendizado continua para estudantes do Colégio Estadual do Campo Efigênia de Paula Luz, em Sapopema, no Norte do Estado. Ao longo desta semana, um grupo de dez alunos participa do projeto Escola Rural de Cinema, iniciativa que leva oficinas de produção audiovisual a jovens de comunidades rurais do Paraná.
Nesta segunda-feira (19), os participantes conheceram mais sobre o projeto e se dividiram em funções para a produção de um curta-metragem. Nos próximos dias, os estudantes aprenderão mais sobre roteiro, storyboard, figurino e captação de vídeo e áudio, em aulas ministradas por produtores culturais profissionais. Entre quarta (21) e sexta-feira (23), ocorrerão as gravações do filme que, posteriormente, poderá ser exibido em salas de cinema de todo o Paraná.
“Este projeto mostra como, mesmo durante as férias escolares, nossos estudantes continuam engajados com a escola e a comunidade local. É uma oportunidade incrível para que os alunos aprendam ainda mais sobre arte, cultura e trabalho em equipe, bem como reforcem a identidade e a conexão com os colegas e o território onde vivem”, disse o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.
Escola Rural de Cinema surgiu em 2020, com a oferta de oficinas em distritos rurais de Londrina, no Norte. A criação da iniciativa, por uma produtora audiovisual londrinense, contou com apoio do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina e da Secretaria Municipal da Cultura.
Em 2026, com apoio das secretarias de Estado da Cultura (Seec-PR) e da Educação (Seed-PR) e do Sistema Nacional de Cultura, o projeto terá sua primeira edição itinerante, chegando a outros municípios do interior do Paraná.
Além de Sapopema, a oficina já passou por Faxinal, no Norte do Estado, no início do mês. Na próxima semana, o destino será Ribeirão do Pinhal, no Norte Pioneiro. A iniciativa também recebe apoio das secretarias da Cultura dos municípios contemplados.
IDENTIDADE E CRIATIVIDADE - Após as oficinas e aulas teóricas sobre como fazer cinema, os estudantes partem para a prática. Alunos de diferentes séries, do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, os jovens são responsáveis por todas as funções envolvidas na produção audiovisual - do roteiro à atuação, passando por direção, captação e figurino.
A escola e as paisagens da região servem de cenário. Conforme os organizadores, um dos objetivos do projeto é, justamente, valorizar o território e a identidade das comunidades rurais, usando-as como pano de fundo para as produções cinematográficas.
“O projeto é importantíssimo para a comunidade escolar, pois poderá levar o nome da instituição para todo o Estado, país e, quem sabe, para o mundo”, afirmou o diretor do colégio, Luis Fernando Moreira. “Independentemente do resultado, a iniciativa proporciona o alcance a novos horizontes pelos alunos, que podem ampliar sua visão de mundo, conhecer novas possibilidades e desenvolver a paixão pela arte”, acrescentou.
Ampliar interesses e horizontes é exatamente o objetivo de Izabely Mota, de 15 anos, uma das integrantes da oficina. Assim como os colegas, a estudante da 1ª série do Ensino Médio decidiu interromper as férias para participar da Escola Rural de Cinema - em toda a rede estadual de educação, as aulas retornam somente no dia 5 de fevereiro. “Vale muito a pena, porque é algo bem interessante. Nós aprendemos muito e desenvolvemos a criatividade e o interesse por coisas novas. Eu gosto muito da parte da atuação e, ontem mesmo, já me diverti bastante”, contou a aluna.
ESCOLA RURAL DE CINEMA - Ao todo, mais de 60 jovens já foram impactados nas três edições anteriores da Escola Rural de Cinema. O principal objetivo do projeto é proporcionar aos estudantes uma iniciação artística completa e coletiva, por meio da experiência cinematográfica.
Ao longo dos últimos anos, os curtas-metragens produzidos nas oficinas foram exibidos em sessões públicas e festivais de cinema no Paraná e em demais estados brasileiros, contribuindo para o fortalecimento da identidade, da cultura e do senso de pertencimento das comunidades rurais paranaenses.