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Mapeamento balístico da Polícia Científica amplia análises sobre ocorrências com armas
Hoje, com o uso de tecnologias de análise balística e sistemas integrados de comparação, como o Sistema Nacional de Análise Balística (SINAB) e o ...
12/01/2026 17h31
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

Antes de ser apreendida, uma arma de fogo pode percorrer um longo caminho. Essa circulação, que muitas vezes ocorre sem registro formal, faz com que um mesmo armamento apareça em situações distintas e acabe associado a diferentes ocorrências. Compreender esse percurso é fundamental para revelar como essas armas se movimentam e de que forma podem estar relacionadas a mais de um fato investigado.

Hoje, com o uso de tecnologias de análise balística e sistemas integrados de comparação, como o Sistema Nacional de Análise Balística (SINAB) e o Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB), a perícia consegue identificar quando uma mesma arma aparece em diferentes investigações. Ao reconstruir essa trajetória, a Polícia Científica contribui para esclarecer casos, conectar informações e oferecer às forças de segurança um panorama mais completo sobre o deslocamento e o reaproveitamento de armas no País.

“Armas vinculadas a organizações criminosas costumam ser utilizadas em diversos tipos de crimes”, destaca o chefe da Seção de Balística Forense da Polícia Científica do Paraná (PCIPR), Perito André Dias Coelho. “Assim, é comum identificarmos, por meio dessas ligações, que uma arma apreendida em uma ocorrência de menor gravidade, como posse irregular, já tenha sido utilizada em crimes de maior potencial ofensivo, como homicídios ou latrocínio, em situações nas quais não havia qualquer suspeita de conexão”.

Em outras palavras, ao integrar as informações geradas em cada exame de confronto entre os casos distintos, torna-se possível construir mapas de circulação das armas, e mapa entre ocorrências interligadas, para uso das equipes da Polícia Judiciária. Esses mapas indicam as ligações de diferentes ocorrências, seja por data, localidade, vítimas ou tipo de crime, apontando, inclusive, a marca, modelo, calibre, possíveis importadores e rotas de circulação.

Com esse nível de detalhamento, a Polícia Científica consegue dar suporte direto aos inquéritos e à abertura de novas linhas investigativas, ampliando as chances de esclarecimento de fatos que, à primeira vista, não apresentavam qualquer relação. A integração entre bancos de dados também favorece a identificação de vínculos interestaduais, permitindo, por exemplo, que uma arma registrada no Paraná, seja relacionada a ocorrências em outras unidades da Federação.

“O BNPB pode ajudar a elucidar um homicídio por arma de fogo, mesmo sem qualquer testemunha ou registro de câmeras ou vídeos que auxiliem no esclarecimento da ocorrência, caso um projétil extraído do corpo de uma vítima, ou estojos e projéteis coletados em locais de crime seja vinculado ao perfil balístico de uma arma cadastrada no banco de dados, orientando uma nova linha de investigação”, explica o perito da PCIPR.

PROCESSO DE ANÁLISE BALÍSTICA– Os vestígios balísticos coletados em locais de crime, em exames de necropsias ou em atendimentos hospitalares são preservados em embalagens lacradas, identificados e registrados no Sistema Gestor de Documentos e Laudos (GDL) da PCIPR. Em seguida, passam pelo exame de caracterização, etapa que identifica calibre, medidas e demais características relevantes.

Após essa análise inicial, o material pode seguir para a comparação balística, realizada com equipamentos especializados capazes de auxiliar os peritos e peritas na identificação das marcas microscópicas únicas deixadas no projétil ou estojo pelo funcionamento da arma. Essas marcas permitem o confronto entre vestígios de diferentes ocorrências ou com padrões de armas suspeitas.

MAIS DE 750 MATCHS– Em agosto, a PCIPR recebeu uma placa de reconhecimento por atingir a marca de 750 “matchs” (compatibilidades) entre projéteis, estojos e padrões de armas de fogo apreendidas. A homenagem foi entregue durante a InterForensics 2025, maior conferência de ciências forenses da América Latina, pelo coordenador do Sistema Integrado de Identificação Balística (Sinab) do Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP), perito Lehi Sudy.

Os números de ligações confirmadas acumulados consideram os dados desde o início da implantação do Sistema Nacional de Análise Balística, em 2022, e representam cerca de 13% de todas as compatibilidades registradas no País. O marco mantém o Paraná em segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas do Rio Grande do Norte, e reforça a posição do Estado como referência em perícia criminal e em inovação tecnológica na área de ciências forenses.