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Agilidade e menos resíduos: madeira engenheirada será diferencial do novo planetário
Ao contrário dos métodos de construção tradicionais, como concreto e aço, por exemplo, a montagem com madeira engenheirada é mais ágil, não exige ...
23/10/2025 15h21
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

O Parque da Ciência Newton Freire Maia, em Pinhais, ganhará um novo planetário a partir de janeiro de 2026. A construção, conduzida pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), vinculado à Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), tem investimento estimado de R$ 50 milhões e será executada pela empresa vencedora da licitação marcada para 7 de novembro. A previsão é de que o espaço fique pronto em oito meses, tornando-se nova referência em divulgação científica e tecnológica no Estado.

O projeto se destaca por adotar madeira engenheirada como principal técnica construtiva - sistema em que a madeira passa por um processo industrial para ser utilizada na construção civil. A solução acelera a execução, reduz impactos ambientais e consolida o planetário como uma das obras públicas mais inovadoras do país.

Com cerca de 5.500 metros quadrados, a estrutura abrigará uma cúpula de 18 metros de diâmetro, com uma sala de projeção capaz de simular o céu e a movimentação de mais de 9 mil corpos celestes em alta definição, um auditório para 300 pessoas, salas multiuso, um relógio solar e um observatório astronômico indígena, além de áreas expositivas e outros espaços. Estima-se que o planetário poderá receber 140 mil visitantes por ano.

“A construção deste planetário é simbólica para a educação no Paraná. Será um espaço que une ciência, tecnologia e inovação, e que aproximará continuamente nossos estudantes de experiências reais de aprendizagem”, afirma o secretário estadual de Educação, Roni Miranda.

“Com o planetário, o Paraná não apenas investe em ciência e educação, mas também se coloca na vanguarda da construção pública sustentável no Brasil”, destaca a diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona.

ESTRUTURA INOVADORA -Já utilizada há décadas em outros países, a madeira engenheirada é novidade nas construções brasileiras. Também conhecida como madeira laminada colada (MLC), a técnica utiliza camadas de madeira de reflorestamento, coladas sob alta pressão para criar peças estruturais com grande resistência e durabilidade. A estrutura de MLC retém grande quantidade de CO2 da atmosfera, o que minimiza a pegada de carbono (medida da quantidade total de gases de efeito estufa liberados na atmosfera) da edificação. Ao contrário dos métodos de construção tradicionais, como concreto e aço, por exemplo, a montagem com MLC é mais ágil, não exige o uso intensivo de água e cimento, gera menos resíduos e desperdício de material, além de um canteiro de obras mais organizado e sustentável.

"As peças são pré-fabricadas em indústria, o que permite que elas cheguem prontas ao canteiro de obras para fazer a montagem. Isso torna o processo muito mais rápido e limpo", explica o diretor Técnico de Engenharia (DITE) do Fundepar, Marcello Marcondes de Albuquerque. Ele acrescenta que, em comparação com uma obra convencional de concreto de mesmo porte, o uso da madeira engenheirada pode reduzir o tempo de execução em até 30%.

DESAFIOS –O projeto que será executado foi o vencedor do primeiro concurso público de arquitetura promovido pelo Estado, em maio de 2024. O arquiteto do Fundepar, Diego Nogossek da Rocha, responsável pela análise arquitetônica dos projetos, explica que a proposta vencedora se inspirou no sistema solar e no movimento dos corpos celestes.

“Toda a estrutura irradia a partir do centro, onde está a cúpula de projeção, com capacidade para 156 pessoas. O entorno abriga auditório, salas de aula, sanitários e dezenas de áreas de apoio para o Parque da Ciência”, detalha.

Assinado pelo escritório Nardo Grothge Arquitetos, de São Paulo, o projeto competiu com outras 21 propostas enviadas de todo o Brasil. O concurso priorizou soluções técnicas inovadoras de acessibilidade, manutenção e segurança, além de viabilidade construtiva, sustentabilidade e integração com o ambiente do parque.

Foto: Reprodução/Secom Paraná

A construção apresenta desafios técnicos, especialmente pelo uso de uma tecnologia nova no Brasil para uma obra desse porte, a exemplo da execução de grandes vãos com madeira engenheirada. “Estamos falando de vigas de até 30 metros de extensão, algo que exige precisão e expertise técnica. Mas o Fundepar tem um know-how de quase 60 anos cuidando da infraestrutura das escolas. Somos um órgão muito técnico e profissional, e por isso nossos processos licitatórios exigem muita documentação e comprovação de capacidade das empresas executoras”, reforça Albuquerque.

Ao todo, mais de 100 pessoas do Fundepar estão envolvidas no projeto, entre engenheiros, arquitetos e técnicos administrativos, além de outras pastas do Governo do Estado, a exemplo da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), que está financiando o projeto com recursos do Fundo Paraná. Serão R$ 80,2 milhões destinados à aquisição do sistema de projeção do planetário e execução da obra onde serão instalados os equipamentos.

METODOLOGIA BIM –A obra do planetário também será um marco na aplicação da metodologia BIM (Modelagem da Informação da Construção), que permite integrar todas as disciplinas de um projeto, como o arquitetônico, o estrutural, o elétrico e o hidráulico em uma única plataforma digital.

“Com o BIM, todos os projetos conseguem conversar entre si. Assim, você minimiza erros, otimiza o tempo, faz uma orçamentação mais acertada e tem um controle melhor da obra e da construção. Para o planetário, isso é essencial”, explica Albuquerque. O Paraná é um dos estados pioneiros na implantação dessa tecnologia no setor público, com regulamentação própria, a partir do Decreto Estadual nº 10.086, de 2022, que estabelece normas de licitação e incentiva o uso do BIM.

REVITALIZAÇÃO DO PARQUE DA CIÊNCIA –Além da construção do planetário, o Parque da Ciência Newton Freire Maia, inaugurado em 2005, passará por uma ampla revitalização. O projeto prevê a reforma dos pavilhões existentes, implantação de novas passarelas e rotas acessíveis, modernização da infraestrutura, com climatização, cabeamento, segurança e sinalização, paisagismo e recuperação da trilha do Rio Canguiri. O investimento é de R$ 13 milhões. Atualmente, o Fundepar está concluindo a elaboração dos elementos técnicos que irão embasar a licitação da revitalização.