Ansiedade, depressão e medo são sentimentos comuns no ambiente de trabalho

Por Adriano Silva

 

O mundo do trabalho, seja você um executivo ou um empreendedor, é um palco de glórias e desastres, de conquistas e tragédias, de expectativas e frustrações.

É ali que nos definimos – e somos definidos. É ali que nos medimos – e somos medidos. É ali que encontramos nossos limites, que nos conhecemos de verdade, em nossas grandezas e misérias. É ali que nos defrontamos com quem somos de fato, com aquilo que podemos ser e também com aquilo que jamais seremos.

Tudo isso imprime marcas na gente. O mundo do trabalho nos afeta emocionalmente. Muito. Ali vivemos momentos felizes, saboreamos alegrias, nos deparamos com a solidariedade alheia, exercitamos nossa própria generosidade.

Ali sofremos com a ansiedade, com a síndrome do pânico, com a depressão, com a certeza inexplicável de que tudo vai dar errado, com a ciclotimia do nosso próprio humor e do nosso próprio entusiasmo diante da carreira e da vida.

Ali confrontamos a hostilidade alheia, o espírito de grupo impenetrável, a extensão da crueldade humana (às vezes na condição de vítimas, às vezes como algozes), as disputas desleais, as humilhações privadas e as frituras públicas, o bullying corporativo.

Algumas emoções tóxicas que podem emergir daí:

1. Depressão

Sabe aquela sensação de falta de energia, de que é melhor não sair de casa, de que há nenhum sentido em sonhar, em empreender, em se colocar em movimento?

Trata-se de um cansaço brutal para ir adiante, para cuidar de todas as coisas, para enfrentar todos os problemas e superar todos os obstáculos.

Trata-se de uma ausência momentânea (que pode se tornar crônica) de paixão pela vida, de diminuição do tesão por fazer, por criar, por experimentar.

Quem nunca acordou com uma dor no peito, um cansaço prévio, uma bruta vontade de desistir de tudo?

2. Ansiedade

Trata-se da dificuldade de lidar com as incertezas da vida, com a nossa incapacidade de controlar tudo o que nos cerca – e com o sentimento de pânico que advém daí.

Trata-se de um desejo de resolver tudo a priori e aposentar logo, de apear o quanto antes do cavalo, de se eximir da luta, de abandonar a estrada, de passar o ponto – quase um desejo de deixar de existir (exatamente para não ter de segurar a barra da existência).

Quem nunca desejou entrar na TV, onde os dramas nunca são de verdade, onde tudo sempre se resolvem a contento no final?

Quem nunca sentiu uma vontade súbita de ficar velho logo, de não ter mais tantos desafios a vencer, tantas responsabilidades para cuidar, tantas sensações para compreender e domar?

3. Medo

Trata-se do receio de perder o que você tem, da covardia ante a possibilidade das coisas não darem certo, do cagaço de correr riscos, de quebrar a cara, de passar vergonha, de se desgastar à toa, de desapontar os outros e de decepcionar a si mesmo.

Trata-se de insegurança, de baixa autoestima, de falta de autoconfiança, de duvidar de si mesmo e da sua própria capacidade: por que caminhar se você tem certeza de que, no fundo, não vai chegar a lugar algum?

Adriano Silva, publisher do Projeto Draft,  é autor de “Ansiedade Corporativa – Confissões sobre estresse e depressão no trabalho e na vida”.


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